A coragem do Papa Francisco

Dom Anuar Battisti
Arcebispo de Maringá (PR)

Um fato histórico. Domingo passado, dia 08 de junho, nos jardins do Vaticano o Papa Francisco conseguiu unir o Patriarca Bartolomeu I, junto com os presidentes de Israel, Shimon Peres, e da Palestina, Mammoud Abbas, para uma oração pela paz no Oriente Médio e no mundo.

O convite para o encontro foi feito em maio durante a viagem do Papa Francisco, de maneira inesperada, com a intenção de aproximar israelenses e palestinos, que ficaram mais afastados depois do fracasso das últimas negociações de paz.

“A oração pode tudo”, escreveu o papa na véspera do encontro, no Twitter, pedindo aos fiéis que rezem “pela paz no Oriente Médio e no mundo”.

O padre Franciscano Pierbattista Pizzaballa, sacerdote responsável por cuidar dos locais de peregrinação católica na Terra Santa e um dos principais organizadores do encontro, dizia: “Este é um momento para pedir a Deus pelo presente da paz. É também um convite aos políticos a fazer uma pausa e levantar os olhos ao céu. Todos querem que algo aconteça, que algo mude. Todos estão cansados dessas eternas negociações que nunca terminam. O santo padre não quer entrar nas questões políticas do conflito israelense-palestino – que todos nós conhecemos.”

Na sua mensagem o Papa Francisco disse: “Chegar à paz pede coragem, muito mais do que guerra. Pede coragem para dizer sim para encontrar e não ao conflito; sim para o diálogo e não à violência; sim para as negociações e não para as hostilidades; sim para o respeito pelos acordos e não aos atos de provocação; sim à sinceridade e não à duplicidade. Tudo isso exige coragem, força e tenacidade. A busca pela paz é um ato de surprema responsabilidade diante de nossas consciências e de nossos povos. Todos pedem a queda dos muros da inimizade e que seja tomado o caminho do diálogo e da paz para que o amor e a amizade triunfem”.

Francisco se dirigiu aos líderes e afirmou que os filhos estão cansados e esgotados pelos conflitos e com desejo de paz.
Em sua fala, Peres admitiu o quão difícil é conseguir a paz, mas pediu para lutarmos com todas as nossas forças para chegar a ela, ainda que para isso sejam necessários sacrifícios ou compromissos.

O presidente de Israel disse ainda que a verdadeira paz pode se transformar em uma herança e garantiu que israelenses e palestinos anseiam por isso.

“As lágrimas das mães sobre seus filhos ainda estão gravadas em nossos corações. Devemos pôr fim aos gritos, à violência, aos conflitos. Precisamos da paz. A paz entre iguais.”

O Presidente Palestino Abbas, disse: “a reconciliação e a paz são objetivos do seu povo. Aqui estamos, Deus, inclinados à paz. Mantenha nossos passos firmes e coroe nossos esforços e empenhos com o êxito”.

O presidente também revelou o desejo de que a Palestina, e Jerusalém em particular, sejam uma terra segura para todos os que têm fé, e um lugar de oração e veneração para os seguidores das três religiões monoteístas.

O Papa concluiu dizendo: “Agora, Senhor, ajudai-nos Vós! Dai-nos Vós a paz, ensinai-nos. Abri os nossos olhos e os nossos corações e dai-nos a coragem de dizer: nunca mais a guerra; com a guerra, tudo fica destruído! Infundi em nós a coragem de realizar gestos concretos para construir a paz.

Senhor, Deus de Abraão e dos Profetas, Deus Amor que nos criastes e chamais a viver como irmãos, dai-nos a força para sermos cada dia artesãos da paz; dai-nos a capacidade de olhar com benevolência todos os irmãos que encontramos no nosso caminho. E que do coração de todo o homem sejam banidas estas palavras: divisão, ódio, guerra! Senhor, desarmai a língua e as mãos, renovai os corações e as mentes, para que a palavra que nos faz encontrar seja sempre irmão, e o estilo da nossa vida se torne: shalom, paz, salam! Amém.”

Que essa paz aconteça dentro da sua casa, da minha. Que as nossas famílias sejam as primeiras promotoras da paz. Boa semana com a paz do Senhor Jesus!