Papa Francisco. Plantar e cultivar a Paz

Papa Francisco buscando defender, plantar e construir sempre a vida.

No Oriente Médio, pediu e rezou pela Paz.

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Categories: Em Aliança solidária com Francisco
      Date: May 15, 2014
     Title: Duas oliveiras da Argentina para a viagem de Francisco à Terra Santa

ARGENTINA, Alicia Granieiri. A Família de Schoenstatt do Santuário da Mãe e Rainha, do povoado de Paso Mayor e a comunidade de Cabildo, vive com alegria um acontecimento único que envolve os membros e peregrinos do Santuário.  Sua Santidade, o Papa Francisco, viajará à Terra Santa no mês de maio, no marco do cinquentenário da viagem que o S.S. Paulo VI fez, em 1954.  Naquela ocasião, o Santo Papa plantou uma oliveira no Horto do Getsêmani, como símbolo da paz.

Membros de uma Cooperativa Olivícola, unidos com a Confederação de Produtores Agrícolas da Itália, filial Toscana (CORAGRI Toscana) participam de uma iniciativa dessa central que se chama: “Adotamos as oliveiras do Getsêmani”.  Essa  iniciativa está incluída dentro de outra mais ampla, promovida pelo Arcebispado de Firenze, que se chama: “Cultivemos a Paz”, referindo-se ao diálogo inter-religioso ocorrido na Terra Santa; todos os eventos agrícolas podem participar.

Nesse sentido, também estão relacionados com a organização europeia chamada “Agrônomos para a Terra”, que participa da tarefa de calcular a idade de oito oliveiras plurisseculares do Getsêmani.

Uma oliveira argentina

Assim, em nome do Dr. Francesco Marino, agrônomo e Presidente da COPAGRI Toscana e titular da Agronomia para a Terra, pensou-se que, na próxima viagem de Sua Santidade, fosse possível ratificar o gesto de Paulo VI e plantar uma nova oliveira no Horto do Getsêmani.

Uma vez que a origem do Papa Francisco é argentina, pensaram que uma oliveira provinda daquele país poderia ser usada.

Para isso, entraram em contato com o senhor Víctor Tomaselli, cultivador de oliveiras e de azeitonas, reconhecido mestre nessa arte, que trabalha em grupos cooperativos na localidade de Cabildo, lugar onde está situado o Santuário de Schoenstatt.

Ali se encontra uma oliveira quase centenária, na qual se desenvolveu um trabalho de aprimoramento.  Essa oliveira foi plantada por um jovem descendente de suíços, no início da terceira década do século passado.  O nome do jovem era Dr. Juan Rudolf.

Hoje, são 325 exemplares de treze culturas diferentes, que constituem verdadeiros ecótipos locais  valiosos.  Uma dessas árvores foi multiplicada, para que, no mês de abril, as duas plantas estivessem prontas para serem enviadas à Sua Santidade.  A proposta foi: uma das plantas poderia ser destinada à plantação no Horto do Getsêmani e a outra poderia ser plantada na Fattoria Villa Pontífice, no Castelo Gandolfo.

Peregrino da paz

Depois de enviar cartas ao Núncio Apostólico, S.E.R. Emil Paul Tscherrigo, que aceitou a proposta, e com total apoio do Arcebispado de Bahía Blanca, na pessoa do Arcebispo D. Guillermo Gallati, no domingo, 27 de abril, na missa vespertina na Igreja Catedral Bahía Blanca, as duas oliveiras foram benzidas.  Ao referir-se à viagem do Papa, D. Garllati garantiu que“levará em suas mãos e plantará um sinal e símbolo de paz tão desejada por todos os povos”. Como peregrino da paz, acrescentou, rezará como o Filho Jesus, para que sejam derrubados todos os muros da inimizade, dos ódios, guerras e divisões.

“Com certeza, terá presente em sua oração essa frase que, com frequência, usava repetidamente na Argentina: ‘a unidade é superior ao conflito’, observou ele.

O senhor Tomaselli também doou plantas desse olival para serem plantadas nos terrenos do Santuário da Mãe e Rainha do povo, Paso Mayor, da Arquidiocese de Bahía Blanca.

Preces pela paz

(A mensagem abaixo será levada junto com a oliveira que será plantada pelo Papa Francisco no Horto do Getsêmani, no próximo mês de maio)

“Há milhares de anos, o gênero humano vem se desenvolvendo no mundo, junto com as oliveiras.  É um cultivo escolhido, cuidado pelos homens (e pelas mulheres) por mais de dez mil anos.  Porém, na verdade, é muito mais antigo, porque o que é chamado de formas selvagens de oliveira foram encontradas antes e, depois de calculada a idade delas, resolveram dizer que têm aproximadamente 40.000 anos de idade.  Contudo, isso não é tudo: outras formas selvagens, não cultivadas, foram encontradas na África; pensa-se que podem datar de 3.500.000 anos atrás.  Esses vegetais estavam próximos dos restos de hominídeos chamados pelos antropólogos de “Lucy”.  Assim, podemos concluir que, desde os primeiros passos na terra, os seres vivos estão cercados de oliveiras.

Em resumo, essa árvore, transformada em cultivo a partir de um tempo pequeno, sustentou a luta pela sobrevivência através dos séculos, sendo útil para o corpo dos seres humanos, para saciar a fome, para combater doenças, também para combater os males do espírito.  Quero dizer, ser remédio para a alma.  De outra forma, não teria sobrevivido junto aos homens durante tantos séculos.  Assim, lentamente, através dos anos, a oliveira é tida como símbolo da Paz.

Nesse ponto, queremos refletir.  Hoje, urgentemente.  Hoje, a paz está em perigo: o Oriente Médio coloca o tema para debate, mas isso não basta.

Este ano, no mês de maio próximo, o Papa Francisco chegará à Terra Santa, no 50o aniversário da história viagem de Paulo VI.  O Papa Paulo VI plantou uma oliveira no Horto do Getsêmani, na viagem de janeiro de 1964.  Hoje, queremos que o Papa Francisco faça o mesmo: plante uma oliveira.  Essa jovem planta parte da Argentina.

Nesse país, trabalha-se muito hoje para o desenvolvimento da plantação de oliveiras; porém, resumindo, isso não é o mais importante, porque em todo mundo se trabalha.

O mais importante é dizer ao mundo que se pode estar distante, mas ao mesmo tempo compartilhar coisas e sentir identidade.  Aproximar-se.

A oliveira é, assim, símbolo da paz, mas também de sobrevivência, de fidelidade, de forte desejo para o bem-estar dos seres humanos.

A oliveira cultivada é também símbolo do trabalho dos homens e das mulheres que fazem parte da “cadeia de valor olivícola”;  esta é a razão porque essa proposta a respeito da viagem do Papa implica a participação do setor sindical e, em conjunto, de todos os setores sociais e políticos: este é o ato de hoje, decidir enviar uma mensagem a todo o mundo.

A Paz não é um presente; e também não pode ser encontrada em supermercado.  A Paz é construída cada dia, cotidianamente, e cada tijolo para fazer surgir a paz está em cada gesto, cada ato que nós, junto com outros seres humanos, somos capazes de fazer.

Atenciosamente – Víctor Tomaselli”

http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?did=149942