Nota de uma sinfonia – Diviol Rufino

Diviol Rufino està acompanhando o Curso de atualizaçao dos padres e religiosas da diocese de Ourinhos em Londrina .

Publicamos aqui materia escrita por ele em 2008 partilhando a espiritualidade da unidade.

Nota de uma sinfonia
Continuando a meditação sobre o acolhimento, como quem lê as notas de uma partitura, compreendi que Deus ao me acolher, como sou, convida-me a duas coisas. Primeiro, acolhê-lo em mim. Ou seja, sou convivdado a criar as melhores condições para que o meu ser, minha interioridade, seja como uma casa real, onde Ele pode sentir-se plenamente Rei. É um processo lento, por vezes doloroso, esse deixar espaço para Ele em mim. Há uma expressão pouco compreendida, mas que compreendo ser o passo necessário para que isto aconteça: morrer a mim mesmo. Pe. Antonio Vieira, dos primeiros Jesuitas a virem ao Brasil, ja dizia: “Saber morrer é a maior façanha.” Deus deseja ser acolhido e acolher e o caminho é esse: morrer para viver plenamente e irradiar a vida ao meu redor.
Dentro dessa perspectiva, o ato de maior inteligência é: render-se, aceitar ser acolhido por Ele, não numa espécie de quietismo mas numa atitude madura, livre e consciente de quem sabe que é amado. Claro, estou longe disso. Porém, não posso negar que é tudo o que mais desejo com todo meu ser!
Outra segunda compreensão é que ser acolhido por Deus e acolhê-Lo, implica em acolher-me, assim como sou, com minhas imperfeições, meus combates, minhas fragilidades, minhas idiosincrasias, meu passado, minhas raízes, minha história, enfim, acolher tudo o que me aconteceu e acolher todos com quem vivi, sobretudo os/as que produziram feridas em minha alma, e confesso são poucos. Mesmo assim, já ofereci a todos/as a minha anistia ampla e irrestrita.
Este acolhimento de mim mesmo é um acontecimento libertador, faz-me olhar com mais clareza e faz-me resgatar com simplicidade os dons que o amado Deus me deu para que eu pudesse partilhar com todos, multiplicando-os. Ao mesmo tempo, faz-me relativizar as inúmeras vezes em que deixei-me atingir por opiniões depreciativas que diminuiam a beleza, a maravilha, que o Criador imprimiu em suas criaturas, inclusive em mim. E, ainda mais, liberta-me do anuviamento em que meus olhos se envolvem quando olho – sem esse olhar amoroso – as limitações dos irmãos e irmãs, esquecendo que a verdade mais profunda de cada pessoa está velada e que somente Deus conhece cada um plenamente. Como diria Chiara: “A verdade tem a profundidade infinita do mistério”.
É como na parábola do Trigo e do Joio (Mt 13,24-30). Apesar de Jesus ter dito, em outra ocasião, que cada um de nós é chamado a ser luz para o mundo, a começar sendo luz para nosso mundo interior e pessoal, buscando todos os meios para que isto aconteça, com a parábola das duas sementes, Jesus quer nos dizer que nunca prometeu uma vida onde encontraremos somente, “trigos maravilhosos”
Muito pelo contrário, nos alertou que teremos que conviver juntos, sem tentar arrancar o joio, pois essa é tarefa dos “ceifeiros” (leia o texto de Mateus e veja como é fantástico). Ceifar o joio, portanto, não é nossa tarefa. Pois, no dia estabelecido por Deus, finalmente, o trigo será separado para ser guardado no celeiro de Deus. Enquanto o joio seguirá seu destino: virar cinzas, decompor-se, sumir da memória da existência. Naquele dia, uns rostos resplandecerão como o sol, outros serão ensonbrecidos, pois todas as ações trazem conseqüências.
Por isso, recolhidos no sacrário de nossa consciência devemos pedir a Deus que aumente o trigal de nossa ceara e que multipliquemos as sementes do bem, que elas produzam tanto frutos de bênçãos para nós, para quem nos é caro, para o mundo, que no dia da ceifa, sejam encontrados em nós somente alguns poucos vestígios dos joios que o malígno semeou enquanto distraídos dormíamos… Isso ocorrerá se a cada momento de nossa breve ou longa existência, momento por momento, realizarmos o que Deus quer de nós, ou seja, realizar cada coisa com perfeição, “como se não tivéssemos outra coisa para fazer”, como nos ensinou Chiara.
Oxalá possamos elevar ao Pai a seguinte prece: “Senhor, embora eu saiba que Tu respeitas a minha liberdade, eu quero livremente Te entregar a minha vontade. Faça por mim o que eu não posso fazer por mim mesmo.”

Meu caro, desejo-lhe um bom final de semana, onde o acolhimento – sobretudo aos que necessitam do nosso amor e nosso cuidado – seja a nota principal de nossa sinfonia, conte comigo!

http://mariapolitas.blogspot.it/2008/06/nota-de-uma-sinfonia-diviol-rufino.html