A Despedida

Rembrandt_emaus

 

A Igreja celebra nos próximos dias duas grandes festas: ASCENSÃO e PENTECOSTES.

 

As Leituras bíblicas refletem sobre os dois fatos:

– A Ascensão: com o discurso da Despedida.

– O Pentecostes: com a promessa do Espírito Santo…

e a Imposição das mãos dos apóstolos.

 

A Liturgia nos mostra que Deus está presente na sua Igreja,

pelo Espírito Santo, mesmo depois da volta de Jesus ao Pai.

 

A 1ª leitura narra o início da missão evangelizadora da Igreja,

fora de Jerusalém. (At 8,5-8.14-17)

 

Os Apóstolos Pedro e João são enviados à Samaria,

para completar a Iniciação cristã realizada pelo Diácono Felipe

conferindo o Dom do Espírito Santo aos recém-batizados,

através do gesto da imposição das mãos.

Essa passagem constitui o “Pentecostes Samaritano”,

como na casa do Centurião romano tem lugar o pentecostes “pagão”.

 

* O episódio lembra duas verdades:

– O Batismo é completado pela Unção com o óleo do Crisma

e pela imposição das mãos do Bispo, no sacramento da Confirmação.

É o momento em que recebemos a Plenitude do Espírito Santo.

– Para uma comunidade se constituir de fato como Igreja,

não basta uma aceitação isolada e independente da Palavra,

mas é convidada a viver a sua fé em comunhão com toda a Igreja.

 

Na 2ª Leitura, Pedro exorta os cristãos à perseverança e à fidelidade

aos compromissos assumidos com Cristo no Batismo. (1Pd 3,15-18)

 

O Evangelho faz parte do discurso da DESPEDIDA de Jesus.

É o testamento que o mestre deixa à Comunidade antes de partir. (Jo 14,15-21)

 

Os discípulos se mostram abalados e tristes…

Jesus os anima, declarando que não os deixará órfãos no mundo.

Ele vai ao Pai, mas vai encontrar um modo de continuar presente

e de acompanhar a caminhada dos seus discípulos.

É uma alusão à sua volta invisível, mas real,

mediante o Espírito Santo, que o substituirá junto aos discípulos

e permanecerá sempre com eles e com toda a Igreja.

É a possibilidade de viver em intensa comunhão com o Pai e o Filho,

pelo Espírito da Verdade, que nos é dado como dom da Páscoa.

 

Para isso, é preciso um amor autêntico,

que se manifesta na observância dos Mandamentos:

“Quem me ama… guarda os meus mandamentos…”

Só quem vive esse amor está apto a receber o Espírito Santo.

O amor supera o medo, a separação e a morte…

 

Jesus fala de “Os MEUS Mandamentos…”:

Não se trata dos 10 Mandamentos, pois já existiam no Antigo Testamento…

Pouco antes, Jesus resumira toda a Lei e os Profetas

em “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como ele nos amou”

 

Conseqüências desse amor vivenciado dos Mandamentos:

– Merece receber o Espírito Santo:

  “Ele vos dará o Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber”.

– É alguém amado pelo Pai…: “Ele será amado pelo Pai…”

– Torna-se capaz de perceber a manifestação de Cristo:

   “Eu o amarei e me revelarei a ele…”

– Sobretudo, torna-se MORADA DE DEUS:

   “Viremos a ele e faremos nele morada…”

 

A Comunidade cristã será então a presença de Deus no mundo:

Ela e cada membro dela se converterão em Morada de Deus,

o espaço onde Deus vem ao encontro dos homens.

Na Comunidade dos discípulos e através dela,

realiza-se a ação salvadora de Deus no mundo.
Esse “caminho” proposto por Jesus

para muitos parece um caminho de fracasso,

que não conduz nem à riqueza, nem ao poder,

nem ao êxito social, nem ao bem estar material.

Parece não dar sabor à vida dos homens do nosso tempo.

 

No entanto, Jesus garante que é nessa identificação com Cristo

e nesse “caminho” do amor e da entrega,

que se encontra a felicidade plena e a vida definitiva.

Jesus promete aos discípulos o envio de um “defensor”,

de um “intercessor”, que irá animar a comunidade cristã

e conduzi-la ao longo da sua história.

A Comunidade cristã, identificada com Jesus e com o Pai,

animada pelo Espírito, é o “Templo de Deus”,

o lugar onde Deus habita no meio dos homens.

Através dela, o Deus libertador continua a concretizar

o seu plano de salvação.

 

Procuremos viver intensamente essa presença de Cristo,

no meio de nós, agora na Eucaristia

e depois no amor vivenciado com os irmãos!

O Espírito Santo não pode continuar sendo o “ilustre desconhecido”!

 

Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa – 25.05.2014

http://www.buscandonovasaguas.com/