Sofrimento: prova de Deus ou armadilha do diabo?

13/05/2014 | Maria Regina Canhos *

Interessante notar que todos os indivíduos passam por sofrimento. Uns mais outros menos, sem exceção, experimentam a dor (física ou emocional), o cansaço, a doença e a morte. Envolvidos pela carne, não há como escapar da realidade dela: desgaste, envelhecimento, deterioração. Sofrimentos há que ajudam a crescer, influenciam no aprendizado, moldam o caráter. Inúmeras vezes somos perseguidos, injuriados, maltratados… Clamamos por justiça e consideramos que o mal nos assola, espreitando nossos passos, impondo a dor da humilhação ou a vergonha. Mas, quem nos assegura que é o mal que nos oprime e não o bem?

No versículo 12 do primeiro capítulo do livro de Jó, o Senhor diz a Satanás: “Pois bem, tudo o que ele possui está em suas mãos; apenas não toque nele.” Ora, Deus permitiu que Jó fosse afligido a fim de provar a sua fidelidade. Em muitos momentos é Ele quem nos prova e não o diabo que nos tenta. Em Gênesis, capítulo 22, versículo 2, o Senhor diz a Abraão: “Tome seu filho, seu único filho, Isaque, a quem você ama, e vá para a região de Moriá. Sacrifique-o ali como holocausto num dos montes que lhe indicarei.” Conhece maior provação? E, embora possa parecer um mal em si, acabou sendo fonte de benção, pois confirmou a fé de Abraão.

No capítulo 1 da primeira carta de Pedro, versículos 6 e 7 está escrito: “… por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo.” A fé verdadeira é confirmada pelas provações que sofremos. Encontramos descanso e força ao perceber que essa fé é real. Através das provas, avaliamos em que grau de amadurecimento espiritual estamos, e nos aproximamos mais de Deus, tendo a oportunidade de conhecê-lo melhor.

As provações impostas pelo Senhor podem acontecer de várias formas, fazendo-nos supor tratar-se de tentações do maligno. Ele pode nos provar através de tarefas que estão acima de nossas condições de realizá-las, a fim de que lhe tenhamos maior dependência e confiemos em sua ação sobrenatural. Também pode permitir que tenhamos acesso a falsos profetas ou ensinos inverídicos, a fim de avaliar nossas reações e conduta. É bom lembrarmos que nossa fé deve estar alicerçada nas promessas de Deus para que tenhamos segurança em lhe obedecer, cientes de que nossa provação pode estar servindo para glorificá-lo. Assim, as provas, ao invés de armadilhas do diabo, podem ser o meio empregado pelo Senhor para nos ensinar e, portanto, de grande proveito espiritual.

Sugestões mentais talvez nos surpreendam a qualquer momento e nos deixem confusos. Para distinguir a provação da tentação necessário se faz avaliar essas sugestões à luz do texto bíblico. O Senhor é justo e fiel. Não prova alguém em desacordo com a sua Palavra. No entanto, muitos seguem propósitos particulares; creditando-os à vontade divina. Inúmeros crimes são cometidos nessas circunstâncias. Nem sempre é fácil discernir entre o que é tentação e o que é provação.

Finalizando este texto, cabe esclarecer que não há como nos livrar da prova, visto que é o próprio Deus quem lha manda; mas há sempre um escape para a tentação, conforme a primeira epístola de Paulo aos Coríntios, em seu capítulo 10, versículo 13: “Não veio sobre vós tentação, que não fosse comum aos homens; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis; antes, com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar”.

* Maria Regina Canhos (e.mail: contato@mariaregina.com.br) é escritora.

Fonte: Revista Missões