VIA-SACRA PRESIDIDA POR SUA SANTIDADE O PAPA FRANCISCO (VIII-XIV ESTAÇÃO)

SEXTA-FEIRA SANTA Roma, 18 de Abril de 2014

«ROSTO DE CRISTO, ROSTO DO HOMEM»

MEDITAÇÕES preparadas por Sua Excelência Reverendíssima D. Giancarlo Maria Bregantini Arcebispo de Campobasso-Boiano

VIII ESTAÇÃO

Jesus encontra as mulheres de Jerusalém
Partilha e não comiseração

 

V/.   Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.
R/.
   Quia per sanctam Crucem tuam redemisti mundum.

Do Evangelho segundo São Lucas 23, 28

«Filhas de Jerusalém, não choreis por Mim, chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos».

Como tochas acesas, nos aparecem as figuras femininas ao longo da via dolorosa. Mulheres de fidelidade e coragem, que não se deixam intimidar pelos guardas nem escandalizar pelas chagas do Bom Mestre. Estão prontas a encontrá-Lo e a consolá-Lo. Jesus está ali na frente delas. Há quem O espezinhe no momento em que cai por terra exausto. Mas, as mulheres estão ali, prontas a oferecer-Lhe aquele palpitar caloroso que o coração já não consegue conter. Primeiro, olham-No de longe, mas depois aproximam-se d’Ele como faz todo o amigo, todo o irmão ou irmã, quando se apercebe da dificuldade que vive a pessoa amada.

Jesus é sensível às suas lágrimas amargas, mas exorta-as a não consumirem o coração vendo-O assim maltratado, a não serem mais mulheres lacrimantes, mas crentes! Pede uma dor compartilhada e não uma comiseração estéril e lacrimosa. Não mais lamentações, mas vontade de renascer, olhar em frente, avançar com fé e esperança para aquela aurora de luz que surgirá ainda mais deslumbrante sobre a cabeça de quantos caminham rumo a Deus. Choremos sobre nós mesmos, se ainda não acreditamos naquele Jesus que nos anunciou o Reino da salvação. Choremos pelos nossos pecados não confessados.

Mais, choremos por aqueles homens que descarregam sobre as mulheres a violência que têm dentro. Choremos pelas mulheres escravizadas pelo medo e a exploração. Mas, não basta bater no peito e sentir comiseração. Jesus é mais exigente. As mulheres devem ser tranquilizadas como Ele fez, devem ser amadas como um dom inviolável para toda a humanidade. Para o crescimento dos nossos filhos, em dignidade e esperança.

==========

ORAÇÃO

Senhor Jesus,
detém a mão de quem espanca as mulheres!
Levanta o coração delas do abismo do desespero
quando se tornam presa de violência.
Visita o seu choro, quando se encontram sozinhas.
E abre o nosso coração à partilha de cada dor,
com sinceridade e fidelidade,
ultrapassando a compaixão natural,
para nos tornarmos instrumentos de verdadeira libertação. Amen.

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:
sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum;
fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
et dimitte nobis debita nostra,
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo. Amen.

Eia, Mater, fons amoris,
me sentire vim doloris
fac, ut tecum lugeam.

 

IX ESTAÇÃO

Jesus cai pela terceira vez
Vencer a má nostalgia

V/.   Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.
R/.
   Quia per sanctam Crucem tuam redemisti mundum.

Da Carta de São Paulo aos Romanos 8, 35.37

«Quem poderá separar-nos do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada? (…) Mas em tudo isso saímos mais do que vencedores, graças Àquele que nos amou».

São Paulo enumera as suas provações, mas sabe que, antes dele, passou por elas Jesus, que, no caminho para o Gólgota, cai uma, duas, três vezes. Destroçado pelas tribulações, a perseguição, a espada, oprimido pelo madeiro da cruz. Exausto! Parece dizer, como nós em muitos momentos sombrios: Não aguento mais!

É o grito dos perseguidos, dos moribundos, dos doentes terminais, dos oprimidos sob o jugo.

Mas, em Jesus, é visível também sua força: «Embora [Deus] aflija, tem compaixão» (Lam 3, 32). Indica-nos que, na aflição, há sempre a sua consolação, um “mais além” a vislumbrar na esperança. Como se faz na poda das árvores, com igual sabedoria procede o Pai Celeste precisamente com os ramos que produzem fruto (cf. Jo 15, 8). Nunca o faz pela amputação em si, mas sempre em prol de um reflorescimento. Como uma mãe, quando chega a sua hora: está aflita, geme, sofre no parto. Mas sabe que são as dores de parto duma vida nova, da primavera em flor, precisamente como na referida poda.

A contemplação de Jesus, caído mas capaz de levantar-Se, nos ajude a saber vencer os isolamentos que o medo do amanhã imprime no nosso coração, sobretudo neste tempo de crise. Superemos a má nostalgia do passado, a comodidade do imobilismo, do «sempre se fez assim»! Aquele Jesus que cambaleia e cai, mas depois Se levanta, é a certeza duma esperança, que, nutrida pela oração intensa, nasce precisamente dentro da provação e não depois da provação nem sem a provação. Seremos mais do que vencedores, graças ao seu amor.

==========

ORAÇÃO

Senhor Jesus,
erguei, Vo-lo pedimos, do pó o miserável,
levantai os pobres da miséria, fazei-os sentar com os chefes do povo
e atribuí-lhes um trono de glória.
Quebrai o arco dos fortes e revesti de vigor os fracos,
porque só Vós nos fazeis ricos precisamente com a vossa pobreza. Amen.
(cf. 1 Sam 2, 4-8; 2 Cor 8, 9).

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:
sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum;
fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
et dimitte nobis debita nostra,
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo. Amen.

Fac ut ardeat cor meum
in amando Christum Deum,
ut sibi complaceam.

 

X ESTAÇÃO

Jesus é despojado das vestes
A unidade e a dignidade

V/.   Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.
R/.
   Quia per sanctam Crucem tuam redemisti mundum.

Do Evangelho de São João 19, 23-24

«Os soldados, depois de terem crucificado Jesus, pegaram na roupa d’Ele e fizeram quatro partes, uma para cada soldado, excepto a túnica. A túnica, toda tecida de uma só peça de alto a baixo, não tinha costuras. Então os soldados disseram uns aos outros: “Não a rasguemos; tiremo-la à sorte, para ver a quem tocará”. Assim se cumpriu a Escritura que diz: Repartiram entre eles as minhas vestes e sobre a minha túnica lançaram sortes”. E foi isto o que fizeram os soldados».

Nem sequer um pedaço de pano deixaram a cobrir o corpo de Jesus. Desnudaram-No. Não tinha manto nem túnica, não tinha veste alguma. Desnudaram-No como acto de extrema humilhação. Só o cobria o sangue, que borbotava das suas inúmeras feridas.

A túnica fica intacta: símbolo da unidade da Igreja, uma unidade que se deve reencontrar num caminho paciente, numa paz artesanal, construída cada dia, num tecido composto com os fios de ouro da fraternidade, na reconciliação e no perdão recíproco.

Em Jesus inocente, desnudado e torturado, reconhecemos a dignidade violada de todos os inocentes, especialmente dos humildes. Deus não impediu que o seu corpo, nu, fosse exposto na cruz. Fê-lo para resgatar todo o abuso, injustamente coberto, e demonstrar que Ele, Deus, está irrevogavelmente e sem meios termos da parte das vítimas.

==========

ORAÇÃO

Senhor Jesus,
queremos voltar a ser inocentes como crianças,
para podermos entrar no reino dos céus,
purificados das nossas imundícies e dos nossos ídolos.
Tirai do nosso peito o coração de pedra das divisões,
que tornam pouco credível a vossa Igreja.
Dai-nos um coração novo e um espírito novo,
para vivermos segundo os vossos preceitos
e observarmos e pormos em prática as vossas leis. Amen.

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:
sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum;
fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
et dimitte nobis debita nostra,
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo. Amen.

Sancta Mater, istud agas,
Crucifixi fige plagas
cordi meo valide.

 

XI ESTAÇÃO

Jesus é pregado na Cruz
No leito dos doentes

V/.   Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.
R/.
   Quia per sanctam Crucem tuam redemisti mundum.

Do Evangelho segundo São Marcos 15, 24-28

«Depois, crucificaram-No e repartiram entre si as suas vestes, tirando-as à sorte, para ver o que cabia a cada um. Eram umas nove horas da manhã, quando O crucificaram. Na inscrição com a condenação, lia-se: “O rei dos judeus”. Com Ele crucificaram dois ladrões, um à sua direita e o outro à sua esquerda. Deste modo, cumpriu-se a passagem da Escritura que diz: Foi contado entre os malfeitores».

E crucificaram-No! A punição dos infames, dos traidores, dos escravos rebeldes. Esta é a condenação reservada a Jesus, Senhor nosso: cravos ásperos, dores pungentes, a angústia da mãe, a vergonha de ser agregado a dois bandidos, as vestes divididas como despojo entre os soldados, as zombarias cruéis dos transeuntes: «Salvou os outros e não pode salvar-Se a Si mesmo (…), desça da cruz e acreditaremos n’Ele» (Mt 27, 42).

E crucificaram-No! Jesus não desce, não abandona a cruz. Permanece, profundamente obediente à vontade do Pai. Ama e perdoa.

Também hoje, como Jesus, muitos dos nossos irmãos e irmãs estão cravados num leito de sofrimento, nos hospitais, nos lares de terceira idade, nas nossas famílias. É o tempo da provação, com dias amargos de solidão e mesmo de desespero: «Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste?» (Mt 27, 46).

A nossa mão nunca se levante para trespassar, mas sempre para aproximar, consolar e acompanhar os doentes, levantando-os do seu leito de sofrimento. A doença não pede licença. Chega sempre inesperada. Às vezes transtorna, limita os horizontes, põe a dura prova a esperança. Amargo é o seu fel. Só se encontrarmos junto de nós alguém que nos ouça, esteja ao nosso lado, se sente no nosso leito…, só então a doença pode tornar-se uma grande escola de sabedoria, encontro com o Deus Paciente. Quando alguém toma sobre si as nossas enfermidades, por amor, a própria noite do sofrimento abre-se à luz pascal de Cristo crucificado e ressuscitado. E aquilo que humanamente é uma condenação, pode transformar-se numa oblação redentora, para bem das nossas comunidade e famílias. A exemplo dos Santos.

==========

ORAÇÃO

Senhor Jesus,
não estejais longe de mim,
sentai-Vos no meu leito de sofrimento e fazei-me companhia.
Não me deixeis sozinho, estendei a vossa mão e erguei-me.
Eu creio que Vós sois o Amor,
e creio que a vossa vontade é a expressão do vosso Amor;
por isso me entrego à vossa vontade,
pois confio no vosso Amor. Amen.

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:
sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum;
fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
et dimitte nobis debita nostra,
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo. Amen.

Tui Nati vulnerati,
tam dignati pro me pati
pœnas mecum divide.

 

XII ESTAÇÃO

Jesus morre na Cruz
O gemido das sete palavras

V/.   Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.
R/.
   Quia per sanctam Crucem tuam redemisti mundum.

Do Evangelho segundo São João 19, 28-30

«Depois disso, Jesus, sabendo que tudo se consumara, para se cumprir totalmente a Escritura, disse: “Tenho sede!” Havia ali uma vasilha cheia de vinagre. Então, ensopando no vinagre uma esponja fixada num ramo de hissopo, chegaram-Lha à boca. Quando tomou o vinagre, Jesus disse: “Tudo está consumado”. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito».

As sete palavras de Jesus na cruz são uma obra-prima de esperança. Jesus, lentamente, com passos que também são os nossos, atravessa toda a escuridão da noite, para Se abandonar, confiadamente, nos braços do Pai. É o gemido dos moribundos, o grito dos desesperados, a prece dos falidos. É Jesus!

«Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste?» (Mt 27, 46). É o grito de Job, de todo o homem atingido pela desventura. E Deus cala-Se. Cala-Se, porque a sua resposta está ali, na cruz: é Ele, Jesus, a resposta de Deus, Palavra eterna encarnada por amor.

«Lembra-Te de mim…» (Lc 23, 42). A prece fraterna do malfeitor, feito companheiro de dor, penetra no coração de Jesus, que nela sente o eco da sua própria dor. E Jesus ouve aquela súplica: «Hoje estarás comigo no Paraíso». Sempre redime a dor do outro, porque faz-nos sair de nós mesmos.

«Mulher, eis aí o teu filho!» (Jo 19, 26). Trata-se de sua Mãe, Maria, que se encontrava, juntamente com João, ao pé da cruz para afastar o pavor. Enche-o de ternura e de esperança. Jesus já não Se sente sozinho. Como sucede connosco, quando, junto ao leito do sofrimento, temos quem nos ame! Fielmente. Até ao fim.

«Tenho sede» (Jo 19, 28). Como a criança pede de beber à mãe; como faz o doente ardendo de febre… A de Jesus é a sede de todos os sedentos de vida, de liberdade, de justiça. E é a sede do maior sedento – Deus –, o Qual, infinitamente mais do que nós, tem sede da nossa salvação.

«Está consumado!» (Jo 19, 30). Tudo: cada palavra, cada gesto, cada profecia, cada instante da vida de Jesus. A tapeçaria está completa. As mil e uma cores do amor agora reluzem de beleza. Nada se perdeu. Nada foi desperdiçado. Tudo se tornou amor. Tudo consumado para mim e para ti! E, então, o próprio morrer tem um sentido.

«Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem» (Lc 23, 34). Agora, heroicamente, Jesus sai do pavor da morte. Porque, se vivemos no amor gratuito, tudo é vida. O perdão renova, cura, transforma e consola! Cria um povo novo. Põe fim às guerras.

«Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito» (Lc 23, 46). Já não há o desespero do nada. Mas confiança plena nas suas mãos de Pai, reclinando-Se no seu coração. Porque, em Deus, cada fracção se compõe, finalmente, em unidade!

==========

ORAÇÃO

Ó Deus, que, na paixão de Cristo nosso Senhor,
nos libertastes da morte, legado do antigo pecado,
transmitido a todo o género humano,
renovai-nos à imagem do vosso Filho;
e, assim como levamos em nós, pelo nosso nascimento,
a imagem do homem terrestre,
assim também, pela acção do vosso Espírito,
fazei que levemos a imagem do homem celeste.
Por Cristo nosso Senhor. Amen.

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:
sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum;
fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
et dimitte nobis debita nostra,
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo. Amen.

Vidit suum dulcem Natum
moriendo desolatum,
dum emisit spiritum.

 

XIII ESTAÇÃO

Jesus é descido da Cruz
O amor é mais forte do que a morte

V/.   Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.
R/. e as mãos abertas,
ofereceis ao Pai, em sinal de oferenda sacerdotal,
a vítima redentora do vosso Filho Jesus.
Revelai-nos a doçura daquele último fiel abraço
e dai-nos a vossa consolação materna,
para que o sofrimento do dia a dia
nunca interrompa a esperança da vida para além da morte. Amen.

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:
sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum;
fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
et dimitte nobis debita nostra,
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo. Amen.

Fac me tecum pie flere,
Crucifixo condolere,
donec ego vixero.

 

XIV ESTAÇÃO

Jesus é depositado no sepulcro
O jardim novo

V/.   Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.
R/.
   Quia per sanctam Crucem tuam redemisti mundum.

Do Evangelho segundo São João 19, 41-42

«No sítio em que Ele tinha sido crucificado havia um jardim e, no jardim, um túmulo novo, onde ainda ninguém tinha sido sepultado. (…) Foi ali que puseram Jesus».

Aquele jardim no qual se encontra o túmulo onde Jesus é sepultado, lembra outro jardim: o do Éden. Um jardim que, por causa da desobediência, perdeu a sua beleza e tornou-se uma desolação, lugar de morte e já não de vida.

Os ramos selvagens que nos impedem de respirar a vontade de Deus, como o apego ao dinheiro, à soberba, ao desperdício da vida, devem ser cortados e enxertados agora no madeiro da Cruz. É este o novo jardim: a cruz plantada na terra!

Agora, de lá de cima, Jesus poderá voltar a trazer tudo à vida. Uma vez regressado dos abismos infernais, onde Satanás encerrou um grande número de almas, terá início a renovação de todas as coisas. Aquele sepulcro representa o fim do homem velho. E também para nós, como fez para Jesus, Deus não permitiu que os seus filhos fossem castigados pela morte definitiva.

Na morte de Cristo, ruíram todos os tronos do mal, fundados sobre a ganância e a dureza do coração. A morte desarma-nos, faz-nos compreender que estamos sujeitos a uma existência terrena que tem um termo. Mas é diante daquele corpo de Jesus, depositado no sepulcro, que tomamos consciência de quem somos: criaturas que, para não morrer, precisam do seu Criador.

O silêncio que envolve aquele jardim permite-nos ouvir o sussurro de uma brisa suave: «Eu sou o Vivente, e estou convosco» (cf. Ex 3, 14). O véu do templo rasgou-se. Finalmente vemos o rosto de nosso Senhor. E conhecemos em plenitude o seu nome: misericórdia e fidelidade, para nunca mais ficarmos confundidos, nem mesmo diante da morte, porque o Filho de Deus caminha livre no meio dos mortos (cf. Sal 88, 6 Vulg.).

==========

ORAÇÃO

Protegei-me, ó Deus! Em Vós me refugio.
Vós sois a minha parte de herança e o meu cálice,
nas vossas mãos está a minha vida.
Tenho-Vos sempre diante dos olhos, como meu Senhor,
estais à minha direita, não poderei vacilar.
Por isso, se alegra o meu coração e exulta a minha alma,
e também o meu corpo repousa em segurança.
Não abandoneis a minha vida na morada dos mortos
nem deixeis que o vosso servo conheça a sepultura.
Mostrar-me-eis o caminho da vida,
alegria plena na vossa presença,
doçura sem fim à vossa direita. Amen.
(cf. Salmo 15).

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:
sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum;
fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
et dimitte nobis debita nostra,
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo. Amen.

Quando corpus morietur,
fac ut animæ donetur
Paradisi gloria.
Amen.

 

ALOCUÇÃO DO SANTO PADRE
E BÊNÇÃO APOSTÓLICA

 

O Santo Padre dirige a palavra aos presentes.

No final da alocução, o Santo Padre dá a Bênção Apostólica:

V/.   Dominus vobiscum. 
R/.
   Et cum spiritu tuo.
V/.
   Sit nomen Domini benedictum. 
R/.
   Ex hoc nunc et usque in sæculum.
V/.
   Adiutorium nostrum in nomine Domini. 
R/.
   Qui fecit cælum et terram.
V/.
   Benedicat vos omnipotens Deus,
Pater et Filius et Spiritus Sanctus.
R./
   Amen.

Crux fidelis

 

Schola cantorum

  1.  Crux fidelis, inter omnes arbor una nobilis,
    nulla silva talem profert, fronde, flore, germine!
    Dulce lignum, dulces clavos, dulce pondus sustinet.

1. Pange, lingua, gloriosi prœlium certaminis,
et super crucis tropæo dic triumphum nobilem,
qualiter Redemptor orbis immolatus vicerit. R.

2. De parentis protoplasti fraude factor condolens,
quando pomi noxialis morte morsu corruit,
ipse lignum tunc notavit, damna ligni ut solveret. R.

 

© Copyright 2014 – Libreria Editrice Vaticana

http://www.vatican.va/news_services/liturgy/2014/documents/ns_lit_doc_20140418_via-crucis_po.html