Festa dos 50 anos do Movimento dos Focolares na Amazônia

 em 09 abril 2014

No programa da manhã, as representações artísticas apresentam a riqueza das culturas dessa região do Brasil: desde a dança dos índios até a peça teatral que mostra todo o potencial religioso do “Círio de Nazaré”, de Belém, tradicional manifestação que a cada ano envolve mais de dois milhões de pessoas. Cada cena era ilustrada por fortes testemunhos, como o da comunidade de Abaetetuba, no quadro do “Projeto Amazônia”. Revelava uma ação evangelizadora que envolve não só a população, mas também autoridades civis, a Associação Comercial, o Instituto Federal do Pará e os órgãos de Justiça. Foi expressa em canção a experiência do “Magnificat”, uma comunidade rural, iniciada e desenvolvida na região de Itapecuru, no Maranhão, onde se concentram muitos latifúndios. Isso para citar apenas duas.

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Ao meio dia, o auditório se transformou em catedral, com a solene Missa em agradecimento por esse jubileu. Concelebrada por 15 sacerdotes, foi presidida pelo arcebispo de Belém, Dom Alberto Taveira, juntamente com outros quatro bispos: o seu predecessor Dom Vicente Zico e os seus auxiliares Dom Teodoro e Dom Irineu Romam, que naquela mesma manhã tinha tomado posse na arquidiocese; além de Dom Mario Pasqualotto, bispo emérito de Manaus, que foi o primeiro a levar o carisma da unidade à capital do Amazonas. Na homilia, Dom Alberto proferiu palavras de gratidão pela fecundidade desses 50 anos repletos de sofrimentos e de graças. Falou da contribuição desse carisma à sua diocese. “Ele traz aquilo de que a Igreja mais precisa: a presença espiritual de Jesus Ressuscitado, que se faz presente pelo amor mútuo vivido com autenticidade”.

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À tarde, os protagonistas foram os jovens. Com sua linguagem típica, entre imagens, músicas e coreografias, não faltaram as experiências. Chiaretta, de Manaus, se dedica há 10 anos, desde o tempo dos estudos universitários, à defesa da cultura indígena, de seus idiomas e às mudanças que os índios enfrentam por causa dos grandes problemas sociais. Um trabalho nada fácil, devido aos preconceitos e à precariedade de políticas em favor da causa indígena. Dificuldades tais que “levariam a fechar os olhos” e cuidar de outros interesses. Mas “procuro persistir e dar espaço à voz de Deus que me repete: ‘Tudo o que fizeste ao menor, foi a mim que o fizeste’”, afirma a jovem. E os resultados não faltam.

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Seguiu-se um intenso diálogo com Maria Voce e Giancarlo Faletti, aos quais os jovens confiaram o seu compromisso de viver com radicalismo o Evangelho, a sua busca de liberdade, felicidade e beleza, numa sociedade cada vez mais individualista e consumista, que exalta as aparências. “O que te dá liberdade – responde Emmaus – não é nem a riqueza nem a pobreza, mas é o amor. Tudo é de Deus, inclusive os bens que você possui. Podemos também ser ricos de bens, mas para colocá-los a serviço dos outros. De outro modo, a riqueza se torna escravidão”.  Giancarlo conta um episódio: “’O senhor é feliz?’, perguntam alguns jovens belgas ao Papa. A sua resposta: ‘Encontrei o meu caminho, e seguir por esse caminho me faz feliz, apesar dos problemas. Mas no fundo do coração existe a paz, a felicidade. É uma graça’”.

“Encontro aqui uma grande liberdade, felicidade, leveza, nova força para enfrentar os desafios que me esperam”, diz Gabriel, um jovem que, como conclusão, agradeceu aos dois visitantes em nome de todos os presentes. Exprime bem o clima que se respirou. Entre as impressões colhidas ao vivo, um dos presentes disse: “Valeu a pena enfrentar a longa viagem por esse momento”.

(Por Carla Cotignoli) 

Confira mais fotos na galeria de imagens: http://www.focolares.org.br/encontro-com-comunidades-norte-e-com-os-jovens-0604/

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