PARA EXCLUÍDOS

 

José Antonio Pagola. Tradução: Antonio Manuel Álvarez Pérez

É cego de nacimento. Nem ele nem os seus pais têm culpa alguma, mas o seu destino ficará marcado para sempre. As pessoas olham-no como um pecador castigado por Deus. Os discípulos de Jesus perguntam-lhe se o pecado é do cego ou dos seus pais.

Jesus olha-o forma diferente. Desde que o viu, só pensa em resgatá-lo daquela vida desgraçada de mendigo, desprezado por todos como pecador. Ele sente-se chamado por Deus a defender, acolher e curar precisamente aos que vivem excluídos e humilhados.

Depois de uma cura trabalhosa em que ele também tem que colaborar com Jesus, o cego descobre pela primeira vez a luz. O encontro com Jesus mudou a sua vida. Por fim poderá disfrutar de uma vida digna, sem temor de se envergonhar ante ninguém.

Engana-se. Os dirigentes religiosos sentem-se obrigados a controlar a pureza da religião. Eles sabem quem não é pecador e quem está em pecado. Eles decidirão se pode ser aceite na comunidade religiosa.

O mendigo curado confessa abertamente que foi Jesus quem se aproximou e o curou, mas os fariseus rejeitam-no irritados: “Nós sabemos que esse homem é um pecador”. O homem insiste em defender Jesus: é um profeta, vem de Deus. Os fariseus não o podem aguentar: “Amaldiçoado nasceste dos pés à cabeça e, tu vais dar-nos lições?”.

O evangelista diz que, “quando Jesus ouviu que o haviam expulso, foi encontrar-se com ele”. O diálogo é breve. Quando Jesus lhe pregunta se crê Nele Messias, o expulso diz: “E, quem é, Senhor, para que creia Nele?”. Jesus responde-lhe comovido: Não está longe de ti. “Estás a vê-Lo; o que te está a falar, esse é ele”. O mendigo diz-lhe: “Creio, Senhor”.

Assim é Jesus. Ele vem sempre ao encontro daqueles que não são acolhidos oficialmente pela religião. Não abandona a quem o procura e ama-os mesmo que sejam excluídos das comunidades e instituições religiosas. Os que não têm sitio nas nossas igrejas têm um lugar privilegiado no Seu coração.

Quem levará hoje esta mensagem de Jesus até esses coletivos que, em qualquer momento, escutam condenações públicas injustas de dirigentes religiosos cegos; que se aproximam das celebrações cristãs com temor a ser reconhecidos; que não podem comungar com paz nas nossas eucaristías; que se vêm obrigados a viver a sua fé em Jesus no silêncio do seu coração, quase de forma secreta e clandestina? Amigos e amigas desconhecidas, não o esqueceis: quando os cristãos os rejeitam, Jesus acolhe-os.

 

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