A Paixão de Cristo nos mostra o amor do Eterno Pai para com os homens

Ir Kelly Patricia

A Paixão de Cristo nos mostra o amor do Eterno Pai para com os homens

“Assim amou Deus ao mundo, diz Nosso Senhor, que lhe deu Seu Filho Unigênito” (Jo 3, 16).

Devemos considerar, nessa dádiva, primeiramente, quem é que no-la faz; segundo, o que nos é dado e, terceiro, com que amor é ela feita.

1. Quanto mais nobre é aquele que nos presenteia, tanto mais valiosa é a dádiva. Se alguém recebe uma flor da mão de um rei, ele a preza mais do que um presente valioso recebido de outra pessoa. Em que consideração, pois, não devemos ter uma dádiva que nos vem das mãos do próprio Deus?!

2. E qual é o presente que Deus nos fez? É o Seu próprio Filho. Para o amor que Deus nos tinha parecia pouco todos os outros bens que Ele nos tinha dado; queria dar-nos a si mesmo na Pessoa de Seu Filho Humanado. “Ele não nos deu nenhum servo, nenhum anjo, mas Seu próprio Filho Unigênito”, diz São João Crisóstomo.

3. E por que fez Ele isso? Por nenhum outro motivo senão por amor. Pilatos entregou Jesus aos judeus por temor; o Padre Eterno, porém, deu-nos Seu Filho Unigênito por amor. Se alguém nos dá alguma coisa, o primeiro benefício que recebemos, segundo São Tomás de Aquino (I, q. 38, a. 2), consiste no amor que o doador patenteia pelo presente, pois que a causa única de um verdadeiro presente é o amor; o presente perde o caráter de um verdadeiro presente, quando é dado por um outro motivo fora do amor.

O presente, porém, que o Padre Eterno nos fez de Seu Divino Filho, foi um verdadeiro presente que Ele nos deu sem que tivéssemos o mínimo direito a ele. E por isso foi que a Encarnação, como nota o mesmo Santo Doutor, foi operada pelo Espírito Santo, isto é, pelo Amor (III, q. 32, a. 1).

Deus, porém, não só nos deu Seu único Filho por puro amor; Ele no-lo deu também com amor infinito. Foi justamente isso o que Nosso Senhor queria significar quando disse: “Tanto assim amou Deus ao mundo”. A palavra “Tanto assim”, diz São João Crisóstomo, significa a grandeza do amor com Deus nos fez esse inefável presente. Que maior amor poderia Deus nos mostrar do que condenar à morte Seu Filho inocente para nos remir a nós, miseráveis pecadores? “Não poupou a Seu próprio Filho, mas entregou-O por todos nós” (Rom 8, 32).

Que dor não deveria sentir o Padre Eterno, se Ele estivesse sujeito à dor, vendo-se obrigado, de certo modo, por Sua Justiça, a condenar a uma morte tão cruel e degradante esse Seu Filho, que Ele amava tanto como a si mesmo! O Senhor queria vê-lO consumido pelas dores (Is 53, 10).

À vista da grandeza desse amor de Deus para conosco, exclamava São Paulo: “Deus, que é rico em misericórdia, pela extremada caridade com que nos amou, ainda quando estávamos mortos pelo pecado, nos deu vida justamente em Cristo” (Ef 2, 4). O Apóstolo diz: Pelo excessivo amor com que nos amou. Mas como poderá existir em Deus um excesso? O Apóstolo assim se exprime para nos mostrar que Deus fez pelo homem coisas que não seriam acreditadas por ninguém, se a fé não nos convencesse delas. Por isso a Igreja exclama, fora de si de admiração: Ó admirável condescendência de Vosso amor para conosco! Ó infinito amor de nosso Deus que, para libertar o servo, entregou Seu próprio Filho!

(Santo Afonso Maria de Ligório)

A Paixão de Cristo nos mostra o amor do Eterno Pai para com os homens

“Assim amou Deus ao mundo, diz Nosso Senhor, que lhe deu Seu Filho Unigênito” (Jo 3, 16).

Devemos considerar, nessa dádiva, primeiramente, quem é que no-la faz; segundo, o que nos é dado e, terceiro, com que amor é ela feita.

1. Quanto mais nobre é aquele que nos presenteia, tanto mais valiosa é a dádiva. Se alguém recebe uma flor da mão de um rei, ele a preza mais do que um presente valioso recebido de outra pessoa. Em que consideração, pois, não devemos ter uma dádiva que nos vem das mãos do próprio Deus?!

2. E qual é o presente que Deus nos fez? É o Seu próprio Filho. Para o amor que Deus nos tinha parecia pouco todos os outros bens que Ele nos tinha dado; queria dar-nos a si mesmo na Pessoa de Seu Filho Humanado. “Ele não nos deu nenhum servo, nenhum anjo, mas Seu próprio Filho Unigênito”, diz São João Crisóstomo.

3. E por que fez Ele isso? Por nenhum outro motivo senão por amor. Pilatos entregou Jesus aos judeus por temor; o Padre Eterno, porém, deu-nos Seu Filho Unigênito por amor. Se alguém nos dá alguma coisa, o primeiro benefício que recebemos, segundo São Tomás de Aquino (I, q. 38, a. 2), consiste no amor que o doador patenteia pelo presente, pois que a causa única de um verdadeiro presente é o amor; o presente perde o caráter de um verdadeiro presente, quando é dado por um outro motivo fora do amor.

O presente, porém, que o Padre Eterno nos fez de Seu Divino Filho, foi um verdadeiro presente que Ele nos deu sem que tivéssemos o mínimo direito a ele. E por isso foi que a Encarnação, como nota o mesmo Santo Doutor, foi operada pelo Espírito Santo, isto é, pelo Amor (III, q. 32, a. 1).

Deus, porém, não só nos deu Seu único Filho por puro amor; Ele no-lo deu também com amor infinito. Foi justamente isso o que Nosso Senhor queria significar quando disse: “Tanto assim amou Deus ao mundo”. A palavra “Tanto assim”, diz São João Crisóstomo, significa a grandeza do amor com Deus nos fez esse inefável presente. Que maior amor poderia Deus nos mostrar do que condenar à morte Seu Filho inocente para nos remir a nós, miseráveis pecadores? “Não poupou a Seu próprio Filho, mas entregou-O por todos nós” (Rom 8, 32).

Que dor não deveria sentir o Padre Eterno, se Ele estivesse sujeito à dor, vendo-se obrigado, de certo modo, por Sua Justiça, a condenar a uma morte tão cruel e degradante esse Seu Filho, que Ele amava tanto como a si mesmo! O Senhor queria vê-lO consumido pelas dores (Is 53, 10).

À vista da grandeza desse amor de Deus para conosco, exclamava São Paulo: “Deus, que é rico em misericórdia, pela extremada caridade com que nos amou, ainda quando estávamos mortos pelo pecado, nos deu vida justamente em Cristo” (Ef 2, 4). O Apóstolo diz: Pelo excessivo amor com que nos amou. Mas como poderá existir em Deus um excesso? O Apóstolo assim se exprime para nos mostrar que Deus fez pelo homem coisas que não seriam acreditadas por ninguém, se a fé não nos convencesse delas. Por isso a Igreja exclama, fora de si de admiração: Ó admirável condescendência de Vosso amor para conosco! Ó infinito amor de nosso Deus que, para libertar o servo, entregou Seu próprio Filho!

(Santo Afonso Maria de Ligório)
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