Conselho Missionário Nacional prepara Assembleia geral

Por Jaime C. Patias
17 / Mar / 2014 09:13

Membros da Equipe Executiva do Conselho Missionário Nacional (Comina) estiveram reunidos nesta sexta-feira, dia 14, em Brasília (DF), para definir os últimos preparativos da 31ª Assembleia do organismo e refletir sobre um futuro Diretório de Animação Missionária para a Igreja no Brasil.

Convocada pelo seu presidente, dom Sergio Arthur Braschi, que é também presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da CNBB, a Assembleia geral acontecerá nos dias 04 a 06 de abril, na sede das Pontifícias Obras Missionárias (POM), em Brasília (DF).

Dom Sergio destaca a importância das reuniões do Comina, “que vão colocando as estacas para fortalecer a formação missionária no Brasil”. Ele recorda que o Conselho tem como principal função articular as forças missionárias. “É importante que os principais organismos de animação missionária da Igreja no Brasil, não façam suas atividades separadamente, mas de forma integrada. O Comina garante esse espírito que tem suas ramificações nos regionais e dioceses com os Comires e os Comidis”, complementa o bispo.

O futuro Diretório da Missão será tema central da Assembleia do Comina. O mesmo está em fase de elaboração e consta de cinco partes: a Missão hoje; a Igreja missionária; a animação missionária no Brasil; os sujeitos e a articulação da animação missionária. Um esboço já foi enviado aos coordenadores dos Comires e será retomado na Assembleia onde os participantes terão oportunidade de estudá-lo e dar suas contribuições.

Entretanto, a secretária Executiva do Comina e assessora da Comissão para a Ação Missionária, Irmã Dirce Gomes da Silva, adiantou que está sendo preparado um Folder com as principais orientações sobre os organismos e atividades de animação missionária no Brasil. Este servirá de guia até a conclusão do futuro Diretório.

Na reunião, representantes dos organismos que compõem o Comina, ou seja, a CNBB através das Comissões para a Ação Missionária, para a Amazônia e Missão Continental, as Pontifícias Obras Missionárias (POM), a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), o Centro Cultural Missionário (CCM), entre outros, partilharam seus projetos e trabalhos.

Os sinais dos tempos

Para o tema de estudo, a reunião contou com a ajuda do padre Paulo Suess, assessor do Cimi, que refletiu sobre “os sinais dos tempos ontem e hoje” com o objetivo de repensar a Missão com fidelidade e audácia, a partir de novas relações entre Igreja, mundo e história. O teólogo explicou que, o paradigma dos “sinais do tempo” coloca uma nova relação da Igreja com o mundo e a história na pauta da Missão. “O mundo é tudo aquilo que ainda não participa da experiência pascal, mas essa experiência não é privilégio dos cristãos. A Páscoa se faz presente no mundo desde a ressurreição de Jesus. Desta nova relação entre Igreja e mundo/história emergem várias questões”, afirmou e continuou: “Quem faz a leitura desses sinais e quais são os critérios autênticos dessa leitura? Como se dá a relação entre Igreja e mundo? Como perceber a diferença dos códigos dos sinais do tempo e linguagem eclesial universal? Qual é o território e o tempo da história de salvação?”

Na sequência, padre Suess falou dos “sinais dos tempos” na Bíblia, passando por Jesus nos evangelhos e no magistério da Igreja, antes e depois do Concílio Vaticano II.

O missiólogo observou que, recentemente a Conferência de Aparecida, em três itens, chama a atenção para o discernimento dos “sinais dos tempos” à luz do Espírito Santo que fala às Igrejas (n. 33, 99, 366).

Destacou ainda que, a Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, também se refere três vezes ao paradigma dos “sinais dos tempos” (EG 14, 51, 108). O papa Francisco adverte as comunidades e sobretudo, os jovens e os idosos para a responsabilidade grave de estudar os sinais dos tempos, quando afirma que: “Não é função do papa oferecer uma análise detalhada e completa da realidade contemporânea, mas animo todas as comunidades a uma capacidade sempre vigilante de estudar os sinais dos tempos” (EG 51). E mais adiante, diz o papa: “Espero que, ao fazê-lo [o diagnóstico completo feito nas regiões], tenham em conta que, todas as vezes que intentamos ler os sinais dos tempos na realidade atual, é conveniente ouvir os jovens e os idosos. Tanto uns como outros são a esperança dos povos…” (EG 108).

Segundo padre Paulo Suess, para a elaboração de qualquer projeto de Missão e animação missionária, é fundamental se perguntar, quais são os sinais dos tempos hoje.

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