CNBB pede combate eficaz a racismo e violência durante a Copa do Mundo

Entidade da Igreja alertou que ‘sucesso’ não pode ser medido por lucros. Dom Raymundo Damasceno criticou remoção de famílias para fazer obras.

A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou mensagem nesta quinta-feira (13) na qual pediu um combate eficaz ao racismo durante a Copa do Mundo, que será realizada no país entre junho e julho deste ano. A entidade da Igreja Católica também defendeu que as autoridades do país assegurem a segurança da população sem o uso de violência em meio ao evento esportivo.

Na mensagem, lida pelo presidente da CNBB, Dom Raymundo Damasceno, a entidade afirmou que o sucesso da Copa não será medido pelos lucros que o mundial irá proporcionar aos patrocinadores.

“O sucesso da Copa do Mundo não se medirá pelos valores que injetará na economia local ou pelos lucros que proporcionará aos seus patrocinadores. Seu êxito estará na garantia de segurança para todos sem o uso da violência, no respeito ao direito às pacíficas manifestações de rua, na criação de mecanismos que impeçam o trabalho escravo, o tráfico humano e a exploração sexual, sobretudo, de pessoas socialmente vulneráveis. E se combater eficazmente o racismo e a violência”, diz a mensagem.

O sucesso da Copa do Mundo não se medirá pelos valores que injetará na economia local ou pelos lucros que proporcionará aos seus patrocinadores. Seu êxito estará na garantia de segurança para todos sem o uso da violência, no respeito ao direito às pacíficas manifestações de rua (…) E se combater eficazmente o racismo e a violência”

Recentemente, dois jogadores de futebol e um árbitro foram vítimas de atos de racismo. Em Huancayo (Peru), a torcida do Real Garcilaso reproduzia sons de macaco quando o volante Tinga, do Cruzeiro, tocava na bola durante a partida válida pela Libertadores. Na última semana, o também volante Arouca, do Santos, foi chamado de “macaco” por torcedores do Mogi Mirim, em jogo do Campeonato Paulista. O árbitro Márcio Chagas, após partida entre Esportivo e Veranópolis, em Bento Gonçalves (RS), encontrou o carro com batidas, arranhadas e cascas de banana.

No documento divulgado nesta quinta, a CNBB também pondera que “não é possível” aceitar que famílias tenham sido removidas de suas moradias apenas para viabilizar a construção de obras para o mundial da Fifa.
“Não é possível aceitar que, por causa da Copa, famílias e comunidades inteiras tenham sido removidas para a construção de estádios e de outras obras estruturantes, numa clara violação do direito à moradia. Tampouco se pode admitir que a Copa aprofunde as desigualdades urbanas e a degradação ambiental e justifique a instauração progressiva de uma institucionalidade de exceção, mediante decretos, medidas provisórias, portarias e resoluções”, afirmou a entidade.

Segundo Dom Raymundo Damasceno, a confederação dos bispos defende que o evento esportivo seja a “Copa pela paz”. A mesma mensagem também tem sido divulgada pela presidente Dilma Rousseff em redes sociais.
Apesar da coincidência, o presidente da CNBB ressalta que o texto divulgado pela confederação começou a ser elaborado há seis meses e não tem relação com o governo federal.

“A Copa se torna, portanto, ocasião para refletir com a sociedade sobre as relações pacíficas e culturais entre todos os povos, bem como sobre os aspectos sociais e econômicos que envolvem o esporte, que é harmonia, desde que o dinheiro e o sucesso não prevaleçam como objeto final, conforme alerta o Papa Francisco”, diz a entidade.

Em entrevista a jornalistas, Dom Raymundo lançou o projeto “Copa da Paz”. “Por meio destas iniciativas, a Igreja se faz presente na vida política e social do país cumprindo sua missão evangelizadora”, argumentou o dirigente.

Fonte: G1, em Brasílai

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