Tempo de educar

12/03/2014 | Ivone Boechat *

A família, a escola e a igreja são instituições que têm a responsabilidade de educar sistematicamente para a adaptação do ser humano na sociedade. Esse processo dá sustentabilidade e orienta a fazer escolhas, todavia, forças quase imbatíveis lutam noite e dia para derrubar todo argumento e recursos educacionais, com a intenção declarada de corroer os fundamentos do que é bom, justo, moral.

O educador está vivendo uma era exaustiva de informações, numa guerra desigual, porque os valores fundamentais para uma vida harmoniosa são apedrejados ao vivo e em cores, em tempo real, integral. E ainda há famílias, no pouco tempo em casa, que se ligam, inescrupulosamente, em coisas bizarras, com alto poder de destruição. É cansativo ficar na defesa da moralidade quando sobram pouquíssimas parcerias e referências.

Qual é o político confiável? Aquele que “rouba, mas faz?” Isto se escuta como se fosse coisa normal, aceitável… Ou é aquele que se defende dizendo: não somos nós somente que roubamos, outros partidos roubam também… Os eleitores, por falta de opção, votam naquele com a ficha mais ou menos “limpa”. E assim vai… como ensinar a votar? A caravana da mentira se expande, contamina e os partidos brincam no jogo das cadeiras, ouvindo a sirene da polícia, até vagar uma cadeira e aí… um senta-se por cima do outro…

Os responsáveis pela divulgação das religiões devem parar um pouco também e meditar sobre essa zoeira no Rádio e na Tv. Como fica a criança? O que o jovem está pensando de tudo isto? Desse barulho todo? Sim, muitos pensam que para anunciar as boas novas têm que usar uma aparelhagem eletrônica no volume máximo a ponto de causar surdez. O Evangelho não pode gerar confusão. Está todo mundo com sede de ouvir a Palavra e suas grandes lições, com clareza, boa dicção, equilíbrio, e isto é um clamor universal, deve ser atendido por todas as denominações. Deixem as doutrinas para serem ensinadas nos templos, cada qual com a sua… dentro do recinto. Preguem ao público a síntese do Evangelho: perdão, paz, união, fé, salvação, solidariedade. Esse é o verdadeiro milagre que deve ser proclamado com muita harmonia.

Famílias devem analisar a educação catastrófica que estão implantando nos lares. Sem disciplina é impossível educar e o que se vê são famílias sem o mínimo de disciplina. Geralmente não há organização e nem ensinam a colaboração tão necessária, tendo em vista os horários absurdos de trabalho dos pais e avós aposentados (trabalhando) lutando desesperadamente para sobreviver e sustentar os filhos e netos numa escola particular, pagar o plano de saúde e como não podem pagar um segurança, se aventurar na guerra da bala perdida pra todo lado, sem ter para onde fugir…

É tempo de reflexão! Todos devem parar e contemplar o tamanho do desafio da educação. Pode-se mudar muita coisa! Então, tudo o que estiver ao alcance para mudar para melhor, não pode deixar ninguém tímido, com medo de incomodar, com receio de se queimar. Mãos à obra, educador! O que está deixando transparecer é que o educador está prestes a cruzar os braços. Aí, sim, estará tudo perdido. Daqui a pouco ficará parecendo que a corrupção é virtude e o componente da quadrilha que contribuir para pagar a multa judicial é uma pessoa de bem, solidária.

* Ivone Boechat é mestre em educação, pedagoga, conferencista e escritora.

Fonte: Ivone Boechat / Revista Missões

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