Mestres e religiosos

Reencontrei-me com meus alunos, em mais um início de ano letivo. A maioria, já conheço, reconhecendo, com certa facilidade, as suas capacidades e também seus limites. Com certeza, também eles reconhecem e sabem das minhas capacidades e “jogam” com os meus limites, espertamente. Os alunos são muito hábeis para jogar com os limites de cada professor.

Um aluno novo, do sexto ano, fez uma constatação interessante. Logo após expor para a turma, de forma entusiasmada, o sentido do Ensino Religioso para a formação integral do ser humano e para a construção do sentido da vida, o aluno me interrogou: -O senhor deveria ser pastor ou padre -. Imediatamente, sem pensar muito, respondi: “nem padre, nem pastor ou líder religioso, eu prefiro ser professor. Se fosse padre ou pastor, falaria apenas a partir de uma religião. Como professor, posso apresentar e falar de várias religiões, sem comparar e nem desmerecer uma em detrimento de outra”.

Que pilha este aluno me deu! Mais entusiasmado, conversei com os alunos sobre o que é e o que não é Ensino Religioso, pois ainda existe muita confusão de pensamentos, ideias e práticas desta disciplina. Conversamos ainda sobre a importância de conhecer as manifestações do sagrado e do Transcendente nas diferentes religiões ou tradições religiosas, com o propósito de respeitá-las.

Como em todos os inícios de ano letivo, descobri, mais uma vez, que vale muito ser professor de Ensino Religioso. O Ensino Religioso, no atual paradigma, cumpre importante papel na formação integral do ser humano, no reconhecimento das dimensões históricas, psicológicas, sociais, culturais e religiosas de cada ser humano e de todo mundo.

Mestres ou religiosos, pensei que devemos nos tornar sempre boas e respeitosas referências de vida e de conhecimento para as diferentes juventudes que estão a desabrochar. Juventudes que perguntam.Juventudes que nos desafiam. Não esqueçamos, ainda, de integrar os diferentes conceitos, habilidades e atitudes que as outras áreas do conhecimento despertam em nossos adolescentes e jovens. Não esqueçamos, também, de integrar às nossas aulas os diferentes saberes que são gerados na comunidade, nas famílias, nas ruas e no cotidiano de todos nós. O Ensino Religioso, como os demais conhecimentos, nem sempre cabem num livro, num caderno ou numa lousa. Os conhecimentos cabem mesmo é em nossas vidas!

* Nei Alberto Pies é professor e ativista de direitos humanos.

Fonte: Nei Alberto Pies / Revista Missões

Anúncios