NÃO À IDOLATRIA DO DINHEIRO

 

Pe. José Antonio Pagola. Tradução: Antonio Manuel Álvarez Pérez

O Dinheiro, convertido em ídolo absoluto, é para Jesus o maior inimigo desse mundo mais digno, justo e solidário que quer Deus. Faz já vinte séculos que o Profeta da Galileia denunciou de forma rotunda que o culto ao Dinheiro será sempre o maior obstáculo que encontrará a Humanidade para progredir para uma convivência mais humana.

A lógica de Jesus é esmagadora: “Não podeis servir Deus e o Dinheiro”. Deus não pode reinar no mundo e ser Pai de todos, sem reclamar justiça para os que são excluídos de uma vida digna. Por isso, não podem trabalhar por esse mundo mais humano querido por Deus os que, dominados pela ansia de acumular riqueza, promovem uma economia que exclui os mais débeis e os abandona na fome e na miséria.

É surpreendente o que está a suceder com o Papa Francisco. Enquanto os meios de comunicação e as redes sociais que circulam pela internet nos informam, com todo tipo de detalhes, dos gestos mais pequenos da sua personalidade admirável, oculta-se de forma vergonhosa o seu grito mais urgente a toda a Humanidade: “Não a uma economia da exclusão e da iniquidade. Essa economia mata”.

No entanto, Francisco não necessita de longas argumentações nem profundas análises para expor o seu pensamento. Sabe resumir a sua indignação em palavras claras e expressivas que poderiam abrir as notícias de qualquer telejornal, ou ser título da imprensa em qualquer país. Só alguns exemplos.

“Não pode ser que não seja notícia que morre de frio um ancião na rua e que pelo contrário o seja a queda de dois pontos na bolsa. Isso é exclusão. Não se pode tolerar que se atire fora comida quando há gente que passa fome. Isso é iniquidade”.

Vivemos “na ditadura de uma economia sem rosto e sem um objetivo verdadeiramente humano”. Como consequência, “enquanto os ganhos de uns poucos crescem exponencialmente, os da maioria ficam cada vez mais afastados do bem-estar dessa minoria feliz”.

“A cultura do bem-estar anestesia-nos, e perdemos a calma se o mercado oferece algo que todavia no compramos, enquanto todas essas vidas truncadas pela falta de possibilidades nos parecem um espetáculo que de nenhuma forma nos altera”.

Como disse ele mesmo: “esta mensagem não é marxismo mas Evangelho puro”. Uma mensagem que tem de ter eco permanente nas nossas comunidades cristãs. O contrário poderia ser sinal do que diz o Papa: “Estamos a tornar-nos incapazes de compadecer-nos dos clamores dos outros, já não choramos ante o drama dos outros

 

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