“Fofocas podem matar. Nada de fofocas”, pede Papa no Angelus

Santo Padre enfatizou que Jesus vai além da necessidade de uma boa conduta externa, sendo preciso olhar o coração do homem e suas intenções

Jéssica Marçal
Da Redação

"Fofocas podem matar. Nada de fofocas", pede Papa no AngelusNo Angelus deste domingo, 16, Papa Francisco comentou a atitude de Jesus em relação à lei judaica, destacando o significado do pleno cumprimento da Lei e da justiça superior. O Santo Padre enfatizou a necessidade de todos se reunirem em torno do mandamento maior de Deus: o mandamento do amor.

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: Íntegra da reflexão do Papa antes do Angelus

As reflexões partiram do Evangelho do dia, em que se esclarece o objetivo de Jesus: levar à plenitude os mandamentos que Deus havia dado a Moisés, o que requer uma justiça superior.

Como exemplo, ele lembrou o que Jesus disse sobre o quinto mandamento, “Não matarás”. Jesus recorda que também as palavras podem matar, disse o Papa.

“As fofocas podem matar. É tão bruto fofocar. No final, enche o coração de amargura e envenena também nós (…) Portanto, não só não se deve atentar contra a vida do próximo, mas também não lançar sobre ele o veneno da ira. Jesus propõe a quem O segue a perfeição do amor: um amor cuja única medida é não ter medida, ir além de todos os cálculos”, disse o Papa.

Francisco explicou que, a partir disso, é possível entender que Jesus não dá importância simplesmente à observância disciplinar e à conduta externa, mas é preciso ir à raiz da lei, com foco na intenção e no coração do homem. Este é o lugar do qual se originam as ações boas ou más.

“Para ter comportamentos bons e honestos não bastam as normas jurídicas, mas são necessárias motivações profundas, expressão de uma sabedoria oculta, a Sabedoria de Deus, que pode ser acolhida graças ao Espírito Santo”.

Concluindo as reflexões, o Santo Padre lembrou que, à luz destes ensinamentos de Jesus, cada preceito revela seu pleno significado como exigência de amor.  Assim, todos devem se reunir no maior mandamento: amar a Deus com todo o coração e o próximo como a si mesmo.

INTEGRA

DOMINGO, 16 DE FEVEREIRO DE 2014, 10H34

Angelus com o Papa Francisco - 16/02/14
ANGELUS

Praça São Pedro – Vaticano
Domingo, 16 de fevereiro de 2014

Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal

Queridos irmãos e irmãs,

O Evangelho deste domingo faz parte ainda do chamado “sermão da montanha”, a primeira grande pregação e Jesus. Hoje o tema é a atitude de Jesus com relação à Lei judaica. Ele afirma: “Não julgueis que vim abolir a lei ou os profetas. Não vim para os abolir, mas sim para levá-los à perfeição” (Mt 5, 17). Jesus, então, não quer cancelar os mandamentos que o Senhor deu por meio de Moisés, mas quer levá-los à sua plenitude. E logo depois acrescenta que este “cumprimento” da Lei requer uma justiça superior, uma observância mais autêntica. Diz de fato aos seus discípulos: “Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus” (Mt 5,20).

Mas o que significa este “pleno cumprimento” da Lei? E esta justiça superior em que consiste? O próprio Jesus nos responde com alguns exemplos. Jesus era prático, falava sempre com os exemplos para se fazer entender. Começa pelo quinto mandamento do decálogo: “Vós ouvistes o que foi dito aos antigos: ‘Não matarás! Quem matar será condenado pelo tribunal’. Eu, porém, vos digo: todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo” (vv. 21-22). Com isto, Jesus nos recorda que também as palavras podem matar! Quando se diz que uma pessoa tem língua de serpente, o que quer dizer? Que as suas palavras matam! Portanto, não só não se deve atentar contra a vida do próximo, mas também não lançar sobre ele o veneno da ira e atingi-lo com a calúnia. Nem falar mal dele. Chegamos às fofocas: as fofocas podem matar, porque matam a fama das pessoas! É tão bruto fofocar! No começo pode parecer uma coisa agradável, até divertida, como chupar uma bala. Mas no fim enche o coração de amargura e envenena também nós. Digo-vos a verdade, estou convencido de que se cada um de nós fizesse o propósito de evitar as fofocas, no fim se tornaria santo! É um belo caminho! Queremos nos tornar santos? Sim ou não? [Praça: Sim!] Queremos viver atrelados às fofocas como hábitos? Sim ou não? [Praça: Não!] Então estamos de acordo: nada de fofocas! Jesus propõe a quem O segue a perfeição do amor: um amor cuja única medida é não ter medida, ir além de todos os cálculos. O amor ao próximo é uma atitude tão fundamentada que Jesus chega a afirmar que a nossa relação com Deus não pode ser sincera se não queremos fazer as pazes com o próximo. E diz assim: “Se estás, portanto, para fazer a tua oferta diante do altar e te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão” (vv. 23-24). Por isso, somos chamados a reconciliar-nos com os nossos irmãos antes de manifestar a nossa devoção ao Senhor na oração.

De tudo isso, entende-se que Jesus não dá importância simplesmente à observância disciplinar e à conduta exterior. Ele vai à raiz da Lei, com foco, sobretudo, na intenção e, portanto, no coração do homem, de onde provêm as nossas ações boas ou más. Para ter comportamentos bons e honestos, não bastam as normas jurídicas, mas são necessárias motivações profundas, expressão de uma sabedoria oculta, a Sabedoria de Deus, que pode ser acolhida graças ao Espírito Santo. E nós, através da fé em Cristo, podemos abrir-nos à ação do Espírito, que nos torna capazes de viver o amor divino.

À luz deste ensinamento, cada preceito revela o seu pleno significado como exigência de amor, e todos se reúnem no maior mandamento: ama Deus com todo o coração e o próximo como a ti mesmo.

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