Espiritualidade e realidade inspiram Projeto Missionário Continental


04/02/2014 | Jaime C. Patias
Os missionários da Consolata reunidos em Assembleia Continental que acontece em Bogotá – Colômbia recordaram, nesta segunda-feira, dia 3, o caminho percorrido no processo de elaboração do Projeto Missionário no Continente americano, desde o Capítulo Geral de 2011.

Dois artigos serviram de base para a reflexão: “Novo modelo de missão na e desde América (América do Sul?)”, escrito pelo padre Antonio Bonanomi, e “Missão na América do Norte – de onde vem, para onde vai?”, de autoria do padre canadense, Jean Paré, IMC. As discussões apontaram desafios para o futuro da Missão e destacaram elementos para o Projeto Missionário.

A Assembleia tomou conhecimento ainda, da situação do Instituto no mundo. O vice-superior Geral, padre Dietrich Pendawazima apresentou o percurso feito no processo de continentalidade, novo modelo de organizar e viver a missão na congregação. Na África cada região assumiu animar uma das dimensões missionárias escolhidas: formação (R. D. Congo); economia (Quênia); missão (Etiópia); formação permanente (Tanzânia); animação missionária e vocacional (Moçambique). Na Ásia os missionários da Consolata estão presentes na Coreia do Sul e na Mongólia. Neste país, a missão é realizada juntamente com as Irmãs missionárias da Consolata. Agora o Instituto planeja abrir uma comunidade em Taiwan para, no futuro, entrar na China. Na Europa, o berço do Instituto, foram realizados vários encontros animados pelo Conselheiro Geral para o continente, padre Ugo Pozzoli. O Projeto está sendo elaborado com a participação de todas as presenças, Itália, Portugal, Espanha e Polônia. Naquele continente, fala-se na possibilidade de formar uma única Província.

Sobre a situação econômica, padre Rinaldo Cogliati, administrador Geral, destacou as iniciativas para melhorar a economia de comunhão em toda a congregação. Segundo o administrador, apesar das dificuldades, em algumas províncias a economia melhorou.

A celebração Eucarística, no final do dia foi presidida pelo Superior Geral, padre Stefano Camerlengo que refletiu sobre a santidade do missionário. “Muitas vezes falamos da santidade como uma pessoa que é muito espiritual e reza muito. Isso é uma coisa muito boa, mas falta também outro aspecto indispensável para a santidade que é trabalhar pela libertação das pessoas, pela justiça e pela paz”, disse padre Camerlengo. “Um missionário que dá a sua vida pela justiça, por um povo, para acompanhar gentes, mostra santidade de vida”, disse. Em seguida recordou que uma das virtudes do Bem-aventurado José Allamano, Fundador dos Missionários e missionárias da Consolata é a de acolher bem as pessoas. “Ele dava uma atenção especial a cada um e se interessava pela vida das pessoas e das famílias”.

Partilhou ainda, atitudes importantes no exercício da liderança, segundo o papa Francisco. A reflexão foi feita num encontro com os superiores gerais dos Institutos e congregações religiosas em Roma. “Saibam sempre exercer a autoridade acompanhando, compreendendo, ajudando e amando”, destacou.

Sob a coordenação do conselheiro Geral IMC para a América, padre Salvador Medina, o encontro reúne 35 missionários e se estende até sábado, dia 8.

Missionários da Consolata reunidos em Assembleia Continental

04/02/2014 | Mário de Carli

Teve início na manhã desta segunda-feira, dia 3, a Assembleia do Instituto Missões Consolata no Continente americano. O encontro que se estende até sábado, dia 8, reúne na Casa Regional IMC em Bogotá, capital da Colômbia, 35 missionários vindos do Canadá (América do Norte), México, Venezuela, Argentina, Brasil (Amazônia) e Colômbia. Estão presentes também o Superior Geral, Pe. Stefano Camerlengo, o Vice Superior, Pe. Dietrich Pendawazima, o administrador General, Pe. Rinaldo Cogliati e o Conselheiro Geral para a América, Pe. Salvador Medina que coordena os trabalhos. A Assembleia tem como objetivo elaborar o Projeto Missionário IMC para o Continente da América. Este encontro dá-se dentro de uma série de atividades realizadas após o XII Capítulo Geral do IMC (2011) que decidiu um caminho de continentalidade como forma de organizar e viver a missão.

Espiritualidade
O dia sempre inicia com uma reflexão sobre a “espiritualidade missionária da Consolata”. O conferencista desta segunda-feira foi dom Joaquín Humberto Pinzón Güiza, IMC, novo bispo do recém criado Vicariato Apostólico de Puerto Leguízamo, na província de Solano, região amazônica colombiana. O bispo desenvolveu o tema “Santos – Missionários, como nos quer José Allamano, inspirado no Evangelho de Marcos”.

Dom Joaquín é licenciado em Sagrada Escritura pelo Instituto Pontifício Bíblico de Roma e começou sua exposição falando da sua experiência missionária na Amazônia colombiana. Relatou que, certo dia navegava pelas águas do rio Putumayo na companhia de “Pereita” um catequista, animador indígena. Este observava a riqueza e a beleza que o rio Putumayo tem para oferecer às futuras gerações. “O olhar de Perieta mostrava admiração, reconhecimento e a gratidão ao rio”, afirmou o bispo. “Quando nos aproximamos da vivência da santidade de José Allamano, Fundador dos missionários e missionárias da Consolata, vemos algo semelhante. É como fazer um mergulho na imensidão do caudal inesgotável das águas de um rio”, observou. Apesar de todos os movimentos, dos percursos feitos na história, hoje nos encontramos diante da santidade e vida de José Allamano e temos o desafio de conservar o essencial daquilo que ele tem a nos oferecer.

Inspirado no Evangelho de Marcos (3, 13-19), dom Joaquín analisou as características do chamado e de Jesus quando escolheu seus discípulos missionários. Fez uma relação entre seguimento, discipulado e santidade. “O chamado dá-se no caminho como processo de identificação com Jesus. Segui-lo é estar com Ele para estabelecer uma relação contínua e crescente. Implica uma convivência contínua na qual os discípulos devem ser testemunhas dos gestos de Jesus”, destacou o biblista.

Observou ainda que, nos encontramos diante de um chamado a configurarmo-nos com Jesus, adquirindo uma identidade clara que nos permite sermos humildes para abrir-nos à diversidade dentro de uma Família como a Instituto Missões Consolata que cresce em um mundo em transformação. Segundo dom Joaquín, esta chave do seguimento, na perspectiva da santidade, nos permite compreender melhor o convite de Allamano a “colocar a santidade em primeiro lugar”. Ela nos ajuda a viver nosso ser e o que fazer como missionários da Consolata: “Fortes, enérgicos e coerentes no apostolado”.

Num segundo momento, dom Joaquim Pinzón falou da busca da vontade de Deus, atitude cara na vida de José Allamano. “Vivia convencido que os momentos de piedade e de encontro com o Senhor, de união com Ele, garantiam a conformidade com sua vontade. Por isso, tinha a certeza de que estes momentos não podiam ser deixados por qualquer motivo, já que tinha presente a busca da vontade de Deus por onde passava a santificação”, recordou o bispo. É preciso “discernir a vontade de Deus através da presença entre os povos, culturas e pessoas que participam conosco da missão. Isto tudo requer sensibilidade humana, acolhida e escuta das pessoas, sobretudo, onde a vida clama e reclama a consolação do missionário. Escutar a Deus desde o clamor das pessoas”, destacou.

Por fim, dom Joaquín Pinzón recordou que, José Allamano teve como primado a busca de Deus e a sua santificação como compromisso com a causa de Jesus. O vínculo direto entre santidade e Missão é o terceiro aspecto sublinhado pelo bispo. “José Allamano em sintonia com o contexto eclesial do seu tempo e com a vida espiritual dos santos de Turim, norte da Itália, viveu a santidade abrindo os olhos e o coração aos problemas da sociedade e propõe com a vida e com sua obra um caminho novo que se identifica com a santidade ao serviço dos pobres”. Segundo dom Joaquín, Allamano promove uma espiritualidade e uma ética prática: ver a realidade das pessoas com os olhos de Deus; fazer a opção pelos últimos com compaixão e misericórdia e ações que promovem a vida e a glória de Deus. Dom Joaquim concluiu a sua exposição convidando a todos a esse caminho, citando as palavras de Allamano: “ninguém pode dizer: isto não me toca a mim”.

Dom Joaquín Pinzón, IMC, é colombiano, nasceu no dia 3 de julho de 1969 em Berbeo, diocese de Velez Santander. Foi ordenado padre em agosto de 1999. Antes fez uma experiência de missão em Moçambique, África. Em setembro de 2011 foi eleito Superior Provincial IMC na Colômbia, cargo que ocupava quando foi nomeado bispo.

Fonte: Revista Missões