Dom Celli sobre Mensagem do Papa para Dia Mundial das Comunicações: diálogo não significa relativismo

2014-01-23 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – A Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 1º de junho próximo foi apresentada na manhã desta quinta-feira na Sala de Imprensa da Santa Sé.
O presidente do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais, Dom Claudio Maria Celli, e a docente na faculdade de Letras e Filosofia da Universidade Católica do Sagrado Coração de Milão, Chiara Giaccardi – introduzidos pelo diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi –, refletiram sobre o tema “Comunicação a serviço de uma autêntica cultura do encontro”, no centro do evento.
A primeira Mensagem que o Papa Francisco escreve para o Dia Mundial das Comunicações Sociais tem suas raízes nos discursos que o Santo Padre fez no Brasil, em julho do ano passado, dirigindo-se aos bispos locais e aos do Celam (Conselho Episcopal Latino-Americano); na Exortação apostólica Evangelii Gaudium; e na parábola evangélica do Bom Samaritano. Foi o que ressaltou Dom Celli, segundo o qual o documento se mostra “profundamente franciscano”, redescobrindo, entre outras coisas, que “comunicação é favorecer proximidade”:
“Não é somente comunicação de dados, uma comunicação informativa, mas tem esse aspecto profundamente humano: o de uma proximidade. Justamente nessa linha do Evangelho de Lucas, o Papa Francisco ressalta que quem comunica se faz próximo. E o Bom Samaritano não somente se faz próximo, mas assume a responsabilidade sobre aquele homem que vê meio morto à beira do caminho. E, portanto, eis outro aspecto ressaltado: comunicar significa tomar consciência de ser humanos e de ser filhos de Deus.”
Respondendo às perguntas dos jornalistas, que se detiveram sobre o convite do Papa à paciência, a recuperar – diante da velocidade da informação do mundo globalizado – “um certo sentido de lentidão e de calma”, mediante a capacidade de “fazer silêncio para ouvir”, Dom Celli refletiu sobre como se pode hoje “avaliar, ponderar e assimilar” aquilo que “chega” através da mídia, mediante “uma dimensão mais humana” também no uso dos meios que a tecnologia coloca a nossa disposição. E sobre a afirmação do Pontífice de que dialogar não significa renunciar “às próprias ideias e tradições, mas
à pretensão que sejam únicas e absolutas”, Dom Celli observou que tal conceito se encontra “em sintonia com tudo aquilo que tem sido o ensinamento da Igreja”, recordando também precedentes pronunciamentos de Bento XVI a esse respeito:
“Não estamos falando de um relativismo: diria que hoje tem se tornado quase um clichê, quando se analisam certos discursos do Papa Francisco. A meu ver, a questão aí é o entender que não é a dimensão da fé e do Evangelho que se relativiza, mas como eu vivo o Evangelho e vivo essa fé.”
Nesse contexto, se insere a “cultura do encontro”, solicitada pelo Pontífice, e sobre a qual se deteve a professora Chiara Giaccardi, observando que a palavra “encontro é “programática” na Evangelii Gaudium – na qual aparece umas trinta vezes – e “fundamental” para reler a comunicação e os seus meios. Em particular, disse, a rede “constrói um ambiente no qual devemos ser capazes de habitar”.
“O Papa nos diz também isto: a rede não tolhe espaço às relações face a face, mas o desafio é como valorizar o encontro utilizando quer os caminhos digitais, quer os caminhos em que podemos encontrar face a face. Portanto, esse é um primeiro aspecto a ser ressaltado: evitar o determinismo e dar o primado, ao invés, à dimensão antropológica. O segundo aspecto é também muito importante, e a meu ver é uma pequena ‘revolução copernicana’ que supera um lugar comum: a comunicação não é transmissão de conteúdos, mas redução de distâncias, construção de proximidade.”
Tudo isso está diretamente ligado ao tema da ‘escuta’, no vorticoso fluxo da informação:
“Alguns canais têm a obrigação da velocidade, porém, existe também o espaço para a escuta, o aprofundamento, a compreensão. Portanto, creio que hoje não seja a corrida de todos para ver quem chega primeiro, o que pode definir de modo positivo o cenário da comunicação; creio que efetivamente se deva admitir que alguns chegarão por primeiro, e outros têm outras funções, as quais, por sua vez, contemplam, aliás, requerem essa paciência de reconstruir contextos, de ouvir as vozes, de oferecer pistas de interpretação que de repente não levarão a um juízo definitivo, mas que ajudam a compreender.” (RL)

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