ALGO NOVO E BOM

Pe. José Antonio Pagola.               : Antonio Manuel Álvarez Pérez

O primeiro escritor que recolheu a atuação e a mensagem de Jesus resumiu-a toda dizendo que Jesus proclamava a “Boa Nova de Deus”. Mais tarde, os demais evangelistas empregam o mesmo termo grego (euanggelion) e expressam a mesma convicção: no Deus anunciado por Jesus as pessoas encontravam algo “novo” e “bom”.

Há ainda nesse Evangelho algo que possa ser lido, no meio da nossa sociedade indiferente e descrente, como algo novo e bom para o homem e a mulher dos nossos dias? Algo que se possa encontrar no Deus anunciado por Jesus e que nos proporciona facilmente a ciência, a técnica ou o progresso? Como é possível viver a fé em Deus nos nossos dias?

No Evangelho de Jesus os crentes, encontramo-nos com um Deus desde que podemos sentir e viver a vida como uma oferenda que tem a sua origem no mistério último da realidade que é Amor. Para mim é bom sentir-nos sós e perdidos na existência, nem em mãos do destino ou do azar. Tenho Alguém a quem posso agradecer a vida.

No Evangelho de Jesus encontramo-nos com um Deus que, apesar das nossas ignorâncias, nos dá força para defender a nossa liberdade sem terminar escravos de qualquer ídolo; para não viver sempre a meias nem ser uns “vivedores”; para ir aprendendo formas novas e mais humanas de trabalhar e de disfrutar, de sofrer e de amar. Para mim é bom poder contar com a força da minha pequena fé nesse Deus.

No Evangelho de Jesus encontramo-nos com um Deus que desperta a nossa responsabilidade para nos desentendermos dos outros. Não poderemos fazer grandes coisas, mas sabemos que temos de contribuir para uma vida mais digna e mais ditosa para todos pensando sobre tudo nos mais necessitados e indefesos. Para mim é bom acreditar num Deus que me pregunta com frequência que faço pelos meus irmãos.

No Evangelho de Jesus encontramo-nos com um Deus que nos ajuda a entrever que o mal, a injustiça e a morte não têm a a última palavra. Um dia tudo o que aqui não pôde ser, o que ficou a meias, os nossos anseios maiores e os nossos desejos mais íntimos alcançarão em Deus a sua plenitude. A mim faz-me bem viver e esperar a minha morte com esta confiança.

Certamente, cada um de nós tem de decidir como quer viver e como quer morrer. Cada um tem de escutar a sua própria verdade. Para mim não é o mesmo acreditar em Deus que não acreditar. A mim faz-me bem poder fazer o meu percurso por este mundo sentindo-me acolhido, fortalecido, perdoado e salvo pelo Deus revelado em Jesus.

 

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