Seminário sobre a formação dos sacerdotes começa nesta segunda, em Aparecida

20/01/2014 | Rosinha Martins

Tem início na tarde desta segunda, 20, no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, São Paulo, o 2º Seminário Nacional sobre a Formação Presbiteral. O evento é uma iniciativa da Organização dos Seminários e Institutos do Brasil (OSIB), que tem como missão animar a formação dos futuros sacerdotes e dos formadores na Igreja do Brasil.

Motivados pelo tema “Presbíteros segundo o coração de Jesus” e pelo lema “corramos com perseverança com os olhos fixos em Jesus”, os participantes do Seminário pretendem fazer uma avaliação do processo formativo e apontar novos horizontes capazes de ajudar os Seminários e Casas de Formação a formar pastores-missionários que sejam verdadeiros discípulos de Jesus e testemunhas de vida e esperança para a sociedade e Igreja em tempos de mudança.

De acordo com os organizadores a metodologia é baseada na pessoa e na vida de Jesus em vista da busca de maior fidelidade à vocação presbiteral.

O presidente da OSIB e colaborador na Comissão de Doutrina da CNBB, padre Domingos Barbosa Filho falou sobre a iniciativa. “O Seminário realizado em 2000 tratou da metodologia do processo formativo, pois havia uma grande necessidade de se pensar um método, um caminho para a formação. Passados os 13 anos, diante das novas diretrizes da formação presbiteral, documento 93, da CNBB, considerando os novos tempos, se julgou oportuno que fosse repensada formação: os tempos mudaram, surgiram novos desafios, os jovens que recebemos nas casas de formação trazem problemáticas novas”, argumentou.

O texto-base em preparação para o Seminário contou com a colaboração do biblista e bispo de Palmas-Francisco Beltrão-PR, dom José Antônio Peruzzo (foto) que fez uma leitura do sacerdócio de Jesus Cristo à luz da Carta aos Hebreus. “Partindo do escrito bíblico dirigido aos Hebreus, e observando como o autor interpretou as disposições pessoais de Jesus no seu porte de ‘Sumo Sacerdote’, o texto inspirado sugere importantes critérios e valores a cultivar para o ideário do jovem que se encaminha para o ministério”, relatou.

Segundo dom Peruzzo, se Jesus assumiu seu sacerdócio fazendo-se semelhante aos irmãos por meio damisericórdia, com liberdade e obediência às provações para socorrer os que sofrem provações, é de grande relevância que a dinâmica eclesial formativa no Brasil tome em grande apreço os caminhos do despojamento solidário e misericordioso para que o sacerdote do futuro tenha a necessária e indispensável fortaleza de ânimo para a solidariedade misericordiosa e obediente. “Jamais se deve esquecer que o ministro ordenado é ‘configurado’, ou seja, leva em si a figura de Cristo compadecido. Sem esses traços, há o grave risco de ‘desfigurar’ a bondade e obediência do Senhor”, ponderou.

A religiosa belga que há 40 anos vive em Juazeiro do Norte (CE) e dedica sua vida na acolhida dos romeiros, Irmã Anette Dumoulin, não abre mão de um novo processo formativo dos candidatos ao presbitério. “Nós precisamos transformar a formação dos seminaristas para ter novos tipos de padres que saibam lavar os pés de suas ovelhas como Jesus fez. Se os seminários continuam a formar padres que são chefes, donos, nós não vamos conseguir que as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) vivam a realidade do novo céu e de uma nova terra”, afirma. “O padre tem que escutar mais o povo. O Espírito Santo fala pelos pobres. Jesus falou isso: ‘Eu te agradeço Pai, por que revelastes essas coisas aos pequenos e escondestes aos ricos e poderosos’. Então nós religiosas, padres, bispos, papa temos que nos converter sempre para ouvir o que Espírito Santo fala aos pequenos e pobres”, concluiu.

Segundo padre Manoel Godoy da arquidiocese de Belo Horizonte, um dos assessores do Seminário, este encontro sobre a formação presbiteral tem uma importância especial nesse momento da Igreja em que o Papa Francisco aponta caminhos claros para o exercício do ministério na Igreja. “Se o Papa pede aos bispos que abandonem a psicologia de príncipes, é necessário mudar e muito o estilo da formação dos novos ministros ordenados, ou seja, uma formação mais simples, mais austera, mais próxima às condições reais de vida do nosso povo”. E falou ainda, sobre o papel dos leigos. “O Papa Francisco afirmou, também, que é preciso abrir espaços para o protagonismo dos leigos em contraste com o atual clericalismo. Sendo assim, precisamos debater profundamente como estão sendo formados os novos presbíteros, de acordo com as exigências de uma Igreja pobre e dos pobres”, disse.

A programação contempla quatro grandes conferências: O sacerdócio de Cristo, segundo a carta aos Hebreus e tem como assessor o arcebispo metropolitano de Belo Horizonte dom Walmor Oliveira de Azevedo; O presbítero: homem do coração de Jesus para a nova evangelização pelo prefeito emérito da Congregação para o clero, cardeal dom Cláudio Hummes; O presbítero: homem conquistado por Deus, a serviço dos irmãos, refletido pelo bispo auxiliar de Brasília, secretário geral da CNBB e religioso franciscano, dom Leonardo Steiner; a formação presbiteral à luz do Concílio Vaticano II e das Diretrizes da Formação Presbiteral, pelo arcebispo metropolitano de Brasília, dom Sérgio da Rocha.

Participam do Seminário, formadores, professores, psicólogos que ajudam na formação, diretores espirituais, formandos (seminaristas), bispos dos regionais responsáveis pelas vocações, representantes da CRB Nacional-Conferência dos Religiosos do Brasil e confrencistas convidados.

O Seminário que começa nesta segunda às 18h, no subsolo do Santuário Nacional de Aparecida conta, para a cessão de abertura, com a presença do arcebispo da Arquidiocese de Aparecida e presidente da CNBB, dom Raymundo Damasceno Assis, o presidente e demais bispos da Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada, dom Pedro Brito Guimarães, dom Jaime Spengler, dom Waldemar Passini e dom Esmeraldo Barreto e o presidente da OSIB, padre Domingos Barbosa Filho, formadores e formandos. O encerramento será no sábado, 25.

Fonte: Assessoria de Comunicação do Seminário