São Sebastião Mártir, uma festa que está no coração do povo local.

Dom Canísio Klaus
Bispo de  Santa Cruz do Sul (RS)

Nos dias 18 a 20 de janeiro realiza-se, em Venâncio Aires, a 138ª festa de São Sebastião Mártir. Mais do que qualquer outra festa religiosa da região, esta é uma festa que está no coração do povo local. Isso também se deve, evidentemente, ao fato de ser uma festa que ocorre há 138 anos, sendo que a primeira Festa de São Sebastião Mártir aconteceu no ano de 1876. De lá para cá, todos os anos, no mês de janeiro, o povo de Venâncio Aires se reúne em torno do seu padroeiro para lhe prestar homenagem e pedir a sua proteção. Por isso, podemos dizer que, em Venâncio Aires, história, devoção a São Sebastião Mártir e Festa do Bastião se fundem numa única construção. É impossível falar da história de Venâncio Aires sem fazer referência à devoção do povo pelo seu santo padroeiro e é impossível falar do padroeiro sem falar da história do município.

A devoção por São Sebastião Mártir ajuda o povo local a preserva a fé católica e vive-la mais intensamente do que em outras cidades onde não existe uma devoção tão arraigada na vida do povo. Além disso, a devoção ao santo padroeiro influencia fortemente na aglutinação das pessoas em comunidades, motivando-as ao testemunho deixado por São Sebastião.

O mérito pelo incremento da devoção a São Sebastião Mártir deve-se creditar aos padres e lideranças locais que souberam valorizar a devoção do povo, respeitando as suas manifestações de fé e direcionando-as para o centro da mensagem cristã, que é Jesus Cristo morto e ressuscitado. Isso tudo em meio ao avanço do secularismo e tendo que enfrentar perseguições de grupos organizados que tentaram enfraquecer a festa de São Sebastião e a devoção ao Santo Padroeiro. Na Conferência de Aparecida, os bispos afirmaram que “é necessário cuidar do tesouro da religiosidade popular de nossos povos, para que nela resplandeça cada vez mais a pérola preciosa que é Jesus Cristo, e seja sempre novamente evangelizada na fé da Igreja e por sua vida sacramental” (n. 549).

Faço votos que as comunidades da Diocese de Santa Cruz do Sul aprendam de Venâncio Aires a importância de valorizar os seus padroeiros. Que procurem valorizar aquilo que Aparecida chamou de “precioso tesouro da Igreja Católica na América Latina”, que “reflete a sede de Deus que somente os pobres e simples podem conhecer”. Os padroeiros das comunidades devem ser conhecidos, celebrados e valorizados. As lições de vida que nos deixaram devem ajudar as comunidades e paróquias a adquirirem uma identidade própria, assim como acontece na paróquia São Sebastião Mártir de Venâncio Aires. Quem sabe, não estará aí uma luz para ajudar as comunidades e paróquias a se revitalizarem conforme colocamos em nosso Plano de Pastoral.

Que São Sebastião Mártir interceda abundantes graças sobre todos os seus devotos espalhados pelas diversas regiões do Brasil. Que ele olhe com um carinho todo especial para as pessoas pobres e sofridas da nossa região e ajude a preservar o ânimo dos agentes de pastoral da nossa Igreja.

CNBB

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