Pesquisadores se unem para salvar patrimônio histórico

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Foto – Cerâmica feita por indígenas, orientados por padres jesuítas, na região de Cambé.

Parceria entre universitários e museus estimula a busca por vestígios de reduções jesuíticas fundadas no Norte do Paraná.

Frágil e finito. Assim pode ser definido o patrimônio arqueológico que um grupo de trabalho da Universidade Estadual de Londrina (UEL) pretende preservar no Pa­raná a partir deste ano. Em parceria com o Museu Histórico de Londrina e o Museu Paranaense, estudantes e professores do curso de História pretendem realizar ações concretas em prol de sítios arqueológicos com mais de 400 anos no Norte de Paraná. Os vestígios históricos já descobertos estão em Cambé, Itaguajé, Santo Inácio, Fênix e Ibiporã e remetem a fundações de missões jesuíticas destruídas em confrontos com paulistas e bandeirantes.

A diretora do Museu Histórico de Londrina, Re­gina Célia Alegro, explica que o objetivo da criação do grupo é reunir pesquisadores interessados em favorecer a preservação destas áreas. Trata-se de um trabalho de conscientização, que deve ser estendido ainda a crianças por meio de atividades educativas. “Também vamos estudar mais o assunto porque precisamos de novas pesquisas sobre esses sítios arqueológicos da região”, comenta.

Herança

Ela salienta que o trabalho de resgate e preservação da herança cultural de outros povos e épocas é importante para lançar luz sobre aspectos históricos ainda desconhecidos pela maioria das pessoas. “Isso tem a ver com nossa identidade, com quem somos, de onde viemos e quais grupos e tradições existiram. Assim, podemos nos conhecer melhor enquanto sociedade e indivíduo”, argumenta.

Para a arqueóloga Cláu­dia Inês Parellada, do Museu Paranaense, os estudos ajudam a refletir sobre o passado dos povos paranaense e brasileiro e as relações sobre sociedades que aparentavam ser diferentes, mas que se complementavam. “Temos hábitos que vieram do cotidiano indígena, como tomar banho todos os dias. Recuando um pouco no tempo, conseguimos entender um pouco nossa história”, observa.

Resgate

A pesquisadora assinala que ainda é preciso uma movimentação do poder público para garantir, de fato, a preservação dos sítios arqueológicos. Em Ibiporã, por exemplo, há vestígios da missão jesuítica de San Francisco Javier, de 1624, que ainda estão em uma propriedade particular. Em Itaguajé, que tem documentada a fundação da redução de Nossa Senhora do Loreto, de 1610, também não há controle para visitas e pesquisas.

“Dentro da área tombada ainda temos posseiros. Tem muito material arqueológico que ainda pode ser recuperado e estamos aguardando uma decisão do estado para fazer isso”, diz o secretário de Cultura de Itaguajé, Altair Damião dos Santos.

Ele comenta que na área que abriga o sítio arqueológico é possível estimar a área onde teria sido erguida a igreja pertencente à redução. Algumas das peças encontradas no local, como flechas, foram encaminhadas para o Museu Histórico de Santo Inácio, já que Itaguajé ainda não possui museu.

Fênix abrigou cidade “espanhola”

O município de Fênix abriga os vestígios arqueológicos da segunda fundação da cidade espanhola de Villa Rica del Espiritu Santo, de 1589. A cidade, antes erguida nas proximidades do rio Cantu, foi transferida para perto dos rios Ivaí e Corumbataí após epidemias de varíola e gripe. Segundo a arqueóloga do Museu Paranaense, Cláudia Inês Parellada, Fênix ainda é o município que concentra a melhor estrutura de visitação de ruínas jesuíticas no estado.

O museu da cidade fica dentro do Parque Estadual Villa Rica do Espírito Santo. Cerca de 400 pessoas passam pela área por mês. Os visitantes podem ver peças encontradas no sítio arqueológico, como uma urna funerária, cerâmicas produzidas por indígenas e ossadas da fauna que habitou a região.

Em Santo Inácio, onde foi fundada a missão de San Ignácio Mini, a preservação da área conta com o apoio da Universidade Estadual de Maringá (UEM). A cidade é a única do estado a ter uma arqueóloga contratada pela prefeitura, relata Cláudia. Há museu para visitação com artefatos indígenas e instrumentos usados por jesuítas. “Em Santo Inácio, Nossa Senhora do Loreto [Itaguajé] e Fênix, temos as ruínas de taipa de pilão, um tipo de construção ainda em uso no interior do Marrocos”, acrescenta a arqueóloga do Museu Paranaense.

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