Abençoado ano!

Dom Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

Logo no início da Bíblia, em Gênesis 12,2, Deus diz a Abrão: “Sê uma bênção! Abençoarei os que te abençoarem”. Sermos abençoados por Deus: “Eu te abençoarei” para que sejamos uma bênção para os outros: “em ti serão abençoadas todas as famílias da terra”. Somos chamados a ser pessoas abençoadas para ser sinal de bênçãos para o nosso tempo!

Nas Escrituras Sagradas encontramos muitas vezes a palavra e o gesto da bênção! Considerando que, para os hebreus, as palavras não são apenas comunicação de ideias, mas transmissão de conteúdos concretos, pronunciar uma bênção quer dizer derramar os melhores desejos e votos sobre uma pessoa, que se torna abençoada, benta, benzida. Ao dizer “Deus o abençoe”, estou desejando e transmitindo ao outro a paz, a qualidade de vida, o sucesso, a felicidade. “A bênção é um dom que atinge a vida e seu mistério, e é um dom expresso pela palavra e por seu mistério”.

Com a mudança de época introduzindo a secularização no meio de nosso povo, vemos que os pais já não abençoam tanto os filhos, e muito menos os filhos pedem a bênção para os seus pais, avós, tios, padrinhos e madrinhas. No entanto, em nossa cidade, com muita alegria vejo que entre nós, católicos, permanece muito esse costume nas famílias e também nas paróquias, com os padres que servem aquela comunidade. Apesar da mudança de época alguns sinais ainda são conservados. A beleza das famílias numerosas que frequentam nossas comunidades paroquiais, em que pais e filhos estão unidos e alegres na celebração, nos fazem agradecer ao Senhor. Por isso, a bênção é antes de tudo uma “bendição”, ou seja, um agradecimento a Deus pelos dons que recebemos e vemos ao nosso redor. Mas é também o pedido para que Deus derrame suas Bênçãos para o nosso povo. O encontro com o povo piedoso e animado nas missas que celebro demonstra muito bem isso. Fico muito feliz de ver as famílias unidas e participando alegres das missas nas paróquias, a juventude cheia de entusiasmo deixando-se conduzir pela graça de Deus, e as pessoas mais idosas sendo respeitadas diante de suas dificuldades. Sinais de bênçãos em nossa igreja arquidiocesana!

Além da bênção que os pais dão aos seus filhos, que os padrinhos e madrinhas dão aos seus afilhados, que o bispo e o padre comunicam aos seus fiéis, devemos olhar e entender o significado da bênção como presença da bondade de Deus em nossas vidas, de sua companhia necessária e irrenunciável.

Por isso, a bênção deve ser considerada como um feixe de luz através do qual Deus projeta algo de valor muito superior. O milagre em Caná, como foi visto, revelou, antes de tudo, um sinal. Note-se que ele foi uma bênção para os noivos, para a alegria da festa, mas, principalmente, um milagre, ou seja, uma bênção com um propósito definido.

Devemos sempre olhar ou buscar uma bênção de Deus com a consciência de que a mesma terá, incondicionalmente, de manifestar para nós e para os outros o poder e a glória de Deus. Porém, Deus não quer somente suprir nossas necessidades momentâneas. Ele tem um projeto, algo superior para nós. Perceba-se a sua maravilhosa graça. Ele nos ajuda, e juntamente com essa ajuda, decide manifestar sua glória, seu poder, sua força, sua sabedoria. Ele o faz primeiro porque nos ama, e depois porque quer nos dar a plenitude de sua bênção.

Solicitar a bênção de Deus é penhor de abundantes graças que protegem, iluminam e fazem progredir na espiritualidade todos os batizados, auxiliando-os contra o mal e atraindo o amparo celeste. Nesse sentido, peçamos a bênção e vamos recebê-la diariamente de nossos pais, avós, padres todos os dias.

E, como família arquidiocesana, sejamos bênçãos para todos, particularmente nas Solenidades do ano que iniciamos, conforme fomos chamados a acolher no anúncio da “Proclamação das Solenidades Móveis de 2014”: “Irmãos caríssimos, a glória do Senhor manifestou-se e sempre há de manifestar-se no meio de nós até a sua vinda no fim dos tempos. Nos ritmos e nas vicissitudes do tempo recordamos e vivemos os mistérios da salvação.

O centro de todo o ano litúrgico é o Tríduo do Senhor crucificado, sepultado e ressuscitado, que culminará no Domingo de Páscoa, este ano a 20 de abril. A cada Domingo, Páscoa semanal, a Santa Igreja torna presente este grande acontecimento no qual Jesus Cristo venceu o pecado e a morte. Da celebração da Páscoa do Senhor derivam todas as celebrações do Ano Litúrgico: as Cinzas, início da Quaresma, a 5 de março; a Ascensão do Senhor, a 1º de junho; Pentecostes, a 8 de junho; o primeiro Domingo do Advento, a 30 de novembro. Também nas festas da Santa Mãe de Deus, dos Apóstolos, dos Santos, e na Comemoração dos Fiéis Defuntos, a Igreja peregrina sobre a terra proclama a Páscoa do Senhor. A Cristo, que era, que é e que há de vir, Senhor do tempo e da história, louvor e glória pelos séculos do séculos. Amém!”

Em tudo demos graças a Deus! Para todos sejamos canais de bênçãos divinas. O que de graça divina recebemos, de graça devemos transmitir. Pedi a bênção e ela lhe será dada!

A todos abençoo em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, Amém!

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