Abrindo a caixa preta do setor elétrico do Brasil

Tentando abrir a caixa preta do setor elétrico do Brasil. Eis a ponta do iceberg aparecendo nesse pequeno artigo. Uma clara explicação do porquê de a energia solar fotovoltaica não decolar. Para aqueles que tentam desconstruir uma realidade que já está presente no mundo inteiro e obscurecer a verdade sobre fontes alternativas de energia. (Telma Monteiro)

“Energia solar: sem incentivo não há esperança de desenvolvimento”
Brasil recebe os maiores índices de radiação solar do planeta

“Por outro lado, não existe uma política consistente de incentivo a essa fonte energética. Existem remendos, com ações unicamente midiáticas. Quem poderia melhor definir os preços de mercado seriam os leilões.”

http://www.cliptvnews.com.br/mma/intranet/amplia.php?id_noticia=36205

 


Energia solar: sem incentivo não há esperança de desenvolvimento

Brasil recebe os maiores índices de radiação solar do planeta
Segundo o Worldwatch Institute, a capacidade instalada da energia solar no mundo cresceu 41% em 2012, atingindo a marca de 100 mil MW instalados. No fim de 2013 poderia chegar próximo a 150 mil MW. Em 2007, eram menos de 10 mil MW. A Europa é ainda a principal consumidora de energia solar, respondendo por 76% em 2012. O destaque é a Alemanha, que sozinha é responsável por 30% do uso mundial. Segundo a Solar Industry Association, 8,5 milhões de pessoas já estão usando a energia solar para gerar eletricidade ou calor; ou seja, de cada dez alemães,um utiliza energia solar. A energia solar fotovoltaica já atende 5%da demanda naquele país. A meta é aumentar essa oferta para 10% em 2020 e 20% até 2030. Devido à atual situação da economia, o Worldwatch Institute destaca que a posição europeia com relação à produção elétrica solar está ameaçada, pois a Itália e a Espanha recentemente alteraram suas políticas de incentivo às fontes renováveis de energia, o que vai prejudicar a expansão do setor na região. Os Estados Unidos e a China são os atuais mercados mais promissores à tecnologia fotovoltaica. A China divulgou a decisão de aumentar em 10 mil MW a cada ano sua capacidade, chegando em 2015 a uma potência instalada de 35 mil MW. Apenas em 2012, foram instalados 8.000 MW. Já os EUA esperavam, até o fim de 2013,suplantar os 13 mil MW instalados. Enquanto isso, no Brasil, país que recebe os maiores índices de radiação solar do planeta, em particular no Nordeste, segundo o Ministério de Minas e Energia, a capacidade fotovoltaica instalada era de insignificantes 8 MW, em dezembro de 2012. Uma das causas dessa pífia utilização da fonte solar para produzir eletricidade é a falta de interesse dos formuladores e gestores da política energética brasileira. Segundo a Empresa de Planejamento Energético (EPE), o Plano Decenal de Energia 2013-2022 prevê a geração de irrisórios 1.400MW de geração distribuída via fonte solar em 2022. O preço dessa energia é o maior empecilho apontado pelo MME. O custo da energia fotovoltaica estaria estimado entre R$ 280 a R$ 300 por MWh, podendo cair para R$ 165/MWh dentro de cinco anos. É um disparate total, sem lastro na realidade, que acaba inibindo sua utilização. Por outro lado, não existe uma política consistente de incentivo a essa fonte energética. Existem remendos, com ações unicamente midiáticas. Quem poderia melhor definir os preços de mercado seriam os leilões. Finalmente, foi realizado em 18 de novembro passado o 17º Leilão de Energia Nova, incluindo pela primeira vez a energia solar fotovoltaica, mas apenas os projetos eólicos foram negociados. A ducha de água fria, que inviabilizou investidores da energia solar de participarem do leilão, foi a decisão da EPE de estabelecer um preço excessivamente baixo para a energia negociada, além da falta dos incentivos e ações claras do governo na direção de impulsionar essa fonte energética. Ficou estabelecido pela empresa o preço-teto em R$ 126/MWh. Esse valor foi o mesmo estabelecido para projetos de fontes eólicas, que é a segunda fonte elétrica mais barata atualmente, depois da energia hidrelétrica. Com um mercado em ascensão, a energia eólica foi agrande vencedora do leilão, bem diferente do caso da energia solar. Com o preço-teto anunciado, não poderia ter outra consequência senão o desinteresse dos empreendedores. Apesar dos 3.000 MW em projetos fotovoltaicos inscritos, nenhum deles foi arrematado. Fica, assim, clara a sinalização da EPE de que a atual administração da política energética brasileira não se interessa pela energia solar.
 http://www.cliptvnews.com.br/mma/intranet/amplia.php?id_noticia=36205