Papa Francisco INTENÇÃO DO MÊS – Janeiro2014

 Intenção Universal

Um desenvolvimento económico autêntico

A razão fundamental da crise mundial actual está, sem dúvida, na relação que se estabeleceu com o dinheiro, aceitando o seu domínio sobre as pessoas e as sociedades, passando de instrumento a finalidade. Ora, o dinheiro deve servir e não governar e ser posto ao serviço de todos os homens.

Esta relação esquece que aquilo que deve estar em primeiro lugar é a pessoa humana e a sua dignidade. Quando isto não é tido em conta, desaparece a ética e sem esta todas as medidas passam a ser permitidas, seja em prejuízo de quem for. Assim, a crise financeira acontece porque existe uma profunda crise antropológica, que pretende reduzir o homem a uma única das suas necessidades: o consumo.

Verifica-se, hoje em dia, uma autêntica ditadura da economia, sem um rosto e um objectivo verdadeiramente humano, em que a moral está ausente, porque ela obrigaria a uma mudança de atitude daqueles que detêm o poder do dinheiro.

Os problemas da actual crise acontecem também porque não existe a solidariedade e por isso, enquanto uns enriquecem cada vez mais, os outros, a maioria, ficam cada vez mais pobres. Dito de outro modo, os avanços que se verificam no mundo não são para todos, mas acabam por ser para uma minoria, por uma injusta distribuição dos bens.

Para que as coisas se alterem, impõe-se uma mudança radical, por parte dos políticos e dos que detêm o poder financeiro, dentro de uma autêntica fraternidade, atendendo ao bem comum e não aos próprios interesses egoístas.

Rezemos, de um modo especial neste mês, para que todos aqueles que trabalham pelo desenvolvimento económico dos países tenham em conta, em primeiro lugar, a pessoa humana e para que a todos chegue a ajuda necessária. Rezemos também para que o Senhor abra o coração de todos, de maneira que colaborem, honesta e solidariamente, para o desenvolvimento económico humano em todos os países.

Intenção pela Evangelização

Rumo à unidade

Celebra-se neste mês, do dia 18 ao dia 25, o Oitavário pela Unidade dos Cristãos. Daqui a razão da Intenção pela Evangelização, proposta pelo Papa.

Cristo veio ao mundo para unir o género humano e para isso ofereceu a própria vida. E nós, os cristãos, que recebemos este nome de Cristo, continuamos desunidos e não vivemos em comunhão total, como deveria acontecer. A nossa divisão é um escândalo, sobretudo para aqueles que não acreditam em Deus nem em Cristo, e constitui um impedimento para a evangelização e um obstáculo para o testemunho que devíamos dar de Cristo e do Evangelho.

Cristo, que sabia que iria haver esta desunião, rogou com insistência ao Pai pela unidade, para que todos fôssemos um como Ele é com o Pai (cf. Jo 17, 21). Cristo desejava que todos vivêssemos em unidade, apesar da diversidade de origem, de costumes e de culturas e cores. Mas, apesar deste desejo ardente de Cristo, desde muito cedo apareceram as divisões dentro das comunidades e mais tarde entre as diversas Igrejas, gerando grandes divisões internas. Os cismas nasceram dentro das Igrejas, levando a um afastamento mútuo.

Por isso, a unidade desejada por Cristo ainda está longe de ser alcançada, apesar dos progressos que tem havido, sobretudo a partir do Concílio Vaticano II. Mas o problema tem-se agravado nalgum sentido pelo surgimento de novos conflitos, provocados por algumas das partes.

Tudo isto mostra que a unidade não pode ser alcançada por nós, embora Deus peça a nossa colaboração. A comunhão entre os cristãos é um dom do Espírito Santo. Quanto mais nos aproximarmos da Santíssima Trindade pela oração, mais nos aproximaremos uns dos outros e nos reconheceremos como filhos do mesmo Pai, que é o único que nos pode unir. Rezemos sempre, mas sobretudo este mês, para que a unidade entre os cristãos seja uma realidade, se não doutrinal, sempre difícil, pelo menos aquela que se traduz em amizade, compreensão mútua, colaboração e entreajuda.

António Coelho, s.j

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